segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Portugal embalado em afectos


Portugal encontra-se adormecido com tanto afecto e exposto com tantas selfies. Se os portugueses fossem gatos ronronavam, se fossem cães abanavam a cauda. Se estivessem num baile com música slow o "mel" escorreria abundantemente. Alguém escreveu um dia um livro titulado "Portugal Amordaçado", agora poder-se-ia produzir um segundo volume: "Portugal Ensonado". 
Nunca acreditei na democracia em Portugal pela simples razão de que ela nunca (ou ainda) se entranhou no nosso país. Estranho. Já lá vão 42 anos desde o 25 de Abril e ainda vegetamos numa letargia imposta por uns quantos partidos políticos que se apoderaram do Estado e da Administração Pública e de uma guarda pretoriana de sindicalistas prontos a encherem as ruas logo que os arménios e os nogueiras assim o ordenem. 
Neste lamaçal pestilento de corrupção á beira -mar acumulado pelas máfias das cãmaras, do futebol, da construção civil, da banca, da saúde, do sangue, da educação, dos livros, das estradas, das obras públicas, das comunicações, da segurança, da criminalidade e sei lá que mais, tudo isto é encenado, consentido e esquecido em afectuosos abraços de urso para portugues sentir e deixar-se embalar para não despertar e dar conta dos pesadelos que assombram um país a deslizar para o inferno de uma dívida pública monstruosa e que, mais tarde ou mais cedo, nos conduzirá a uma pobreza geral extrema com uma economia a definhar até ao inexistente
No entretanto, vai mais uma selfie...        

domingo, 4 de dezembro de 2016

Mais abortos na Educação?


Assuntos como o prazer e a sexualidade poderão vir a ser abordados no pré-escolar e as crianças do 5.º ano de escolaridade poderão vir a falar de aborto. É o que preconiza o Referencial de Educação para a Saúde, resultante de uma parceria entre as direcções-gerais de Educação (DGE) e Saúde, noticia o "Jornal de Notícias, na sua edição de hoje.
Que a Educação em Portugal é um aborto para mim é factual, assim como os programas são um aborto, a maioria das directrizes emanadas do ministério são um aborto, a maior parte dos manuais escolares são um aborto, os sucessivos governos nesta matéria tem sido um aborto, o facilitismo é um aborto, a indisciplina é um aborto, o aproveitamento é um aborto e a subordinação política ao sindicalismo nesta área é o aborto supremo.
Quarenta e dois anos após o 25 de Abril, o País ainda não decidiu o que pretende de um pilar fundamental do Estado como é a Educação. Vai-se fazendo o que a CGTP  e seus derivados autorizam e nada mais.
Segundo a notícia, será possível a curto prazo os meninos e as meninas de 3,4,5 anos aprenderem o que fazer com as "pilinhas" e as "rachinhas" além do xi-xi. E quem dará essas "lições" de "prazer e sexualidade" aos petizes? E como? Qual o objectivo? 
Então os pais, a família qual o seu papel? Deixarem os putos jogarem Playstation na solidão dos quartos?
Eu, como pai, nunca deixaria que uma matéria tão natural como íntima e fundamental na formação do indivíduo fosse leccionada por estranhos. E quais as "aptidões" exigidas a esses "professores" para instruírem essa "disciplina"? 
Anos depois, no 5º ano, a temática sexual ascenderá ao nível do aborto. A miudagem com 10-11 anos será devidamente informada das sucessivas etapas até ao aborto e ser-lhes-ão facultadas imagens dos fetos despedaçados que pouco tempo antes eram uma forma de vida? 
E mais uma vez questiono o aborto desta ideia de curricular o aborto. Serão os professores a abordar o aborto com os alunos? Serão técnicos de saúde a ministrar a sinistra matéria aos pré-adolescentes? E volto ao papel dos pais e da família. Não tem voto vinculativo nesta área?
Muito francamente não confio rigorosamente nada que o Estado ou a Escola se intrometam neste assunto tão pessoal. Quanto muito deixaria para as consultas de Pediatria uns minutos para os médicos explicarem aos petizes a evolução da sexualidade ao longo dos anos que os seguem nos consultórios mas nunca a professores "curiosos" de duvidosa capacidade "técnica" e moral para assumirem esta "disciplina". Nem pensar.

sábado, 3 de dezembro de 2016

"Comandos" em Àfrica sem apoio



Até ao final deste mês está prevista a partida de 160 militares dos Comandos para a República Centro-Africana, apesar do parecer da secreta militar.  Os treinos prosseuem como se constata na foto de Vítor Mota. O Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) desaconselhou em absoluto, por sérias razões de segurança e pela total falta de interesse estratégico económico nacional, o envio de 160 tropas comandos portugueses para a República Centro-Africana (RCA), numa missão da ONU com início previsto já para este mês. O jornal Correio da Manhã apurou que a secreta militar recomendou que a intervenção portuguesa fosse repensada face ao risco iminente num teatro de operações muito instável. Um dos cenários mais preocupantes é o da possibilidade de tomada do aeroporto da capital pelas forças rebeldes. Sendo o aeroporto de Bangui a única possibilidade de evacuação no país, o apoio aéreo só poderia ser feito por dois helicópteros cuja capacidade é insuficiente e o auxílio por via marítima está a 1500 km das bases. Em caso de necessidade de evacuação ou de reforço dos militares, os Comandos não teriam meios para reagir. O SIED considera que há falta de instalações e de apoio médico. Em casos de maior gravidade, os militares teriam de seguir para outro país. Os problemas estendem-se às forças de segurança da RCA, vistas pelas secretas como não confiáveis. A decisão de enviar Comandos foi tomada numa reunião em França, com interesses energéticos na RCA, ao contrário de Portugal, sem qualquer interesse na zona. Ainda assim, desde os atentados de Paris que França decidiu reduzir o contingente de 2000 elementos para 80 até ao fim do ano. Portugal tem ainda os 23 graduados do 127º curso – no qual morreram os instruendos Hugo Abreu e Dylan Silva, nos treinos, a 4 de setembro –, que estão agora a iniciar o treino operacional e poderão também vir a integrar a missão. Fonte oficial do Ministério da Defesa disse ao CM desconhecer o parecer do SIED. 
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/exclusivos/detalhe/secreta-contra-tropas-no-inferno-em-africa??ref=HP_Exclusivos

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O "Eixo-pró-Obama-anti-Putin" da Clara


O programa pseudo-ex-satírico da SIC assemelha-se actualmente cada vez mais a um conselho de ministros de António Costa naquela estação televisiva. Entre loas e hossanas dedicadas ao primeiro-ministro durante quase uma hora de emissão, sobra ainda, de vez em quando, um espaço para umas "bicadas" internacionais que variam da eloquencia ao insulto consoante a ideologia do visado.
Na última sessão de propaganda á Geringonça, Clara Ferreira Alves saiu-se com uma "notícia" aterradora de especulação política grosseira. Segundo a dita cuja, existe uma tragédia em Aleppo, a segunda maior cidade síria, que as forças do regime de Assad apoiados pela aviação russa procuram retirar das garras do Estado Islamico. Até aqui tudo bem. Porém, a comentadora, agora expert em assuntos militares, não se eximiu em pormenorizar que as bombas despejadas pela aviação de Putin são artefactos assassinos que destroem hospitais, escolas, civis, mulheres e crianças. 
Não duvido que existam os tais "danos colaterais" num conflito em que se debatem e matam os mais variados interesses fora das regras da Convenção de Genebra por não se tratarem de combates entre forças convencionais, mas de vários grupos de "soldados" ocasionais que se regem por doutrinas próprias.
O que me causou urticária intelectual foi a pretensa relação que Clara Ferreira Alves pretendeu fazer entre um homicida presidente Putin e um glorioso presidente Obama, omitindo, após uma engraxadela ao ainda hóspede da Casa Branca, que foi ele, o Barack, o responsável pelo apocalipse na Síria e que as bombas made in USA causam em Mossul, no Iraque, os mesmos danos e vítimas civis na guerra contra o Estado Islãmico, dada a estratégia dos terroristas de se fundirem ou confundirem e protegerem entre a população. 
Lá que a Clara seja uma admiradora fiel de Obama está no seu direito. Omitir e deliberadamente por simpatia ou antipatia numa estação de televisão é que não é justo nem sério.  

sábado, 26 de novembro de 2016

O carisma de Fidel Castro


Não sou da família política de Fidel Castro, nem de qualquer outra família política, mas reconheço o carisma do líder cubano num universo de inutilidades que presentemente chefiam ou representam os respectivos países. Não admira, portanto, que o mundo se encontre como está, perfeitamente á deriva e sem um rumo definido.
Que personagem, hoje em dia, se aproxima da gigantesca e controversa acção estadista de Fidel Castro? Nenhuma. Por muito que se vasculhe por essas terras fora, nenhum chefe de estado, rei, emir ou seja lá quem for atinge a dimensão universal do comandante que desceu da Sierra Maestra para derrubar o presidente Fulgencio Baptista e a Mafia dos destinos de Cuba. 
Admiro a coragem guerreira de Fidel Castro quando entrou vitorioso na capital Havana á frente de um exército de alguns milhares de homens depois de começar a histórica campanha apenas com um punhado de homens.
Num mundo fracturado então entre dois blocos, Fidel nem sequer simpatizava com o comunismo emanado da URSS e rompeu também com o maoísmo do camarada Che Guevara, um péssimo estratega militar. Enxotado politica, económica e comercialmente pelos Estados Unidos e seus satélites, a sobrevivencia de Cuba foi garantida pela União Soviética até á queda do Muro de Berlim.
Numa ilha em que o sistema de educação além de grátis era de excelencia e a saúde um direito primordial, Fidel Castro foi obrigado a abrir a porta aos dólares e ao turismo. E como subiu em flecha a actividade sexual com esta "abertura"...
O meu imaginário de miúdo transporta-me ao célebre "tango dos barbudos" e em adulto á guerra civil em Angola, onde assisti aos estragos das imponentes batalhas entre cubanos e MPLA versus sul-africanos e UNITA. Só vista aquela destruição e morte nos maiores confrontos de tanques desde a II Guerra Mundial.
Fidel Castro é o último político carismático, mesmo com a chancela de ditador, a "sair" para a "última viagem". Temos de nos haver no futuro com um Obama frouxo que ficará na História só por ser negro, um Hollande perfeitamente inútil, uma Merkkel asfixiada em "migrantes" e contradições depois de despir as calças e vestir as saias, um Junker figurativo trafulha nos impostos no seu Luxemburgo natal e aqui pela santa terrinha sobrevive-se com um comentador de afectos com um embusteiro semi-indiano pela mão, isto enquanto um amorfo Guterres não entra na ONU...


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O fim do PREC-75


25 de Novembro de 1975: combati com portugueses do meu lado contra portugueses com outras ideias e dispostos a discuti-las pela força das armas. A guerra civil esteve por um fio. O tiroteio foi intenso no assalto ao Regimento de Polícia Militar, na Calçada da Ajuda, em Lisboa. Tombaram mortalmente dois camaradas do meu lado. Um "adversário" foi abatido pelas nossas forças. Paz às suas almas. Nunca esquecerei esse dia!
Recordemos, com auxílio de www.areamilitar.net , os acontecimentos desses dias:

Na madrugada de 25 de Novembro de 1975, forças militares da extrema-esquerda saem da base de para-quedistas de Tancos.
Os comunistas pró-soviéticos, conhecedores da movimentação, reúnem de emergência o comité central às 03:30 da madrugada desse dia.
04:00 da madrugada, é confirmada a demissão de Otelo Saraiva de Carvalho da chefia do Comando Operacional do Continente, retirando à extrema-esquerda este posto militar de importância estratégica.
Quase à mesma hora, os movimentos da extrema esquerda emitem um comunicado a afirmar que chegou a hora dos trabalhadores mostrarem o seu poder. O objetivo é o de esmagar a besta fascista, aludindo a uma manifestação de agricultores anti-comunistas, que tinha erguido barricadas a 40 km a norte de Lisboa e à demissão de Otelo Saraiva de Carvalho.
04:30 - ocorre a primeira acção de contenção do golpe, quando quatro Chaimites do Regimento de Comandos (afecto às forças democráticas) montam guarda ao Palácio Presidencial em Belém.
05:00 – Unidades blindadas fiéis às forças democráticas saem do regimento de Cavalaria de Estremoz e da EPC (Escola Prática de Cavalaria) de Santarém, em direcção a Lisboa
06:00 – Tendo conhecimento desta movimentação militares esquerdistas do RALIS (Regimento de Artilharia de Lisboa) tomam posições defensivas na entrada norte de Lisboa, no aeroporto da Portela e no depósito de material de guerra em Beirolas. A movimentação dos blindados ocorrerá porém apenas no dia seguinte.. 
06:00 – 08:00
Forças dos para-quedistas tomam as instalações militares do DGACI de Monsanto (07:00)
Forças dos para-quedistas (extrema-esquerda) controlam a base de Tancos.
Forças também dos para-quedistas tomam as bases aéreas de Monte-Real, Montijo (Margem sul do Tejo) e Ota.
08:00 – As forças revolucionárias da extrema-esquerda tomam posições importantes, mas torna-se claro que o Presidente da República (cuja posição era indefinida) decidiu contrariar o golpe revolucionário.
09:00 – O Presidente da Republica reúne-se de emergência com o Conselho da Revolução para analisar a situação.
10:00 – O Partido Comunista apercebe-se que a situação, embora aparentemente favorável aos revolucionários não tem saída, desde que o Presidente decidiu contrariar o golpe. O PCP dá ordens à sua principal unidade operacional, os Fuzileiros Navais, de que «não é a altura para avançar».
12:00 - O presidente convoca Otelo Saraiva de Carvalho para que se apresente no Palácio de Belém.
14:00 - 16:00 - O Presidente da República manda que vários comandantes de unidades militares da região de Lisboa se apresentem no Palácio de Belém.
15:00 - Otelo Saraiva de Carvalho (desistindo de comandar os revoltosos) apresenta-se ao presidente.
16:00 – Depois de se informar sobre quais as acções que serão levadas a cabo pelos comunistas pró-soviéticos e pela central sindical comunista (CGTP), o Presidente da República declara o «Estado de Excepção» na Região Militar de Lisboa.
16:30 – Tropas do Regimento de Comandos (fiéis às forças democráticas) preparam-se para atacar a base de Monsanto, o Regimento de Artilharia de Lisboa e unidades do Regimento de Artilharia de Costa (aparentemente fiéis aos revoltosos da extrema-esquerda).
16:30 - O presidente manda emissários às instalações do comando da Força Aérea em Monsanto pedindo a rendição dos revoltosos, mas sem sucesso.
17:00 - Forças da EPAM (Escola Prática de Administração Militar) (extrema esquerda) tomam as instalações da Televisão. A emissão passa a ser constituída por bailados revolucionários e música clássica.
17:00 – Populares da região de Leiria cercam a base de Monte-Real, que tinha sido tomada pelos para-quedistas da extrema-esquerda e impedem a sua utilização.
19:15 – Os para-quedistas em Monsanto rendem-se às forças do Regimento de Comandos.
O capitão Duran Clemente, afecto aos revoltosos lia um comunicado mas é




interrompido e a emissão da RTP (Rádio Televisão Portuguesa) a partir de Lisboa, passa a ser assegurada a partir dos estúdios no Porto. A programação, que transmitia música sinfónica e um balet revolucionário (ao estilo chinês) prosseguirá depois com um filme americano com Danny Kaye.
No entanto o controlo do sinal de televisão tinha sido mais complexo que o que parecia.
As forças da extrema esquerda controlavam os estudios da RTP no Lumiar em Lisboa, mas quando as forças da esquerda revolucionária são cercadas no quartel de Monsanto, toda a área fica sob controlo das forças democráticas, que assim passam também a controlar o principal posto emissor de televisão em Lisboa que se encontra nas proximidades.
É aparentemente por essa razão que essas forças tiveram capacidade para cortar a emissão do Lumiar, substituindo-a pela emissão dos estúdios da RTP na cidade do Porto.
Embora controlassem o principal estúdio da televisão pública, os revolucionários da extrema-esquerda não tinham como colocar o sinal de televisão no ar.
Ao controlar o sinal de televisão, as forças democráticas podem então começar a regularizar a situação anunciando uma comunicação do Presidente da República.
Dia 26 de Novembro:




00:30 – A Base aérea da Ota volta ao controlo das forças democráticas.
01:00 – Populares da extrema-esquerda cavam trincheiras junto às instalações da Policia Militar na Ajuda, a apenas 500m (quinhentos metros) do Palácio Presidencial.
02:00 – Não tendo conseguido o controlo completo da situação, forças de infantaria vindas do Porto de Vila Real e de Braga, preparam-se para marchar sobre Lisboa.
07:20 – Os comandantes do Regimento de Policia Militar são convocados para se apresentarem ao Presidente da República, 500 metros mais abaixo, mas um plenário de militares revolucionários determina que o Presidente deve primeiro explicar as razões da convocação.
Um militar da presidência dá a palavra de honra de que os oficiais esquerdistas não serão presos e dois deles (Major Mário Tomé e Major Cuco Rosa) apresentam-se no palácio às 08:00 .
08:15 – Quinze minutos depois, os militares do Regimento de Comandos tomam de assalto o quartel do Regimento da Polícia Militar. Durante o assalto morrem dois militares, um Tenente e um 2º-Furriel.
Os comandantes da Policia Militar, contrariando a promessa dada, receberão ordem de prisão durante essa manhã.
Também durante a manhã, o comandante do RALIS apresenta-se ao presidente e é detido.
10:00 – Blindados chegados da Escola Prática de Cavalaria de Santarém controlam o Depósito-Geral de Material de Guerra.
À tarde, os Fuzileiros Navais, que não tinham aderido ao golpe por indicação do Partido Comunista cumprem ordens recebidas do Presidente para tomarem posições no forte de Almada e dispersam uma manifestação de populares junto ao seu quartel.
Por volta das 16:00 a EPAM (Escola Prática de Administração Militar) rende-se
Ao fim da tarde, a Base Aérea do Montijo volta ao comando da 1ª Região Aérea.
O golpe de 25 de Novembro tinha terminado.
Os militares que iniciaram a revolução democrática de 25 de Abril de 1974 tinham impedido uma guerra civil, ao mesmo tempo que indirectamente se tinham oposto à instalação de um regime comunista em Portugal.

domingo, 20 de novembro de 2016

O "ódio" da Procuradora aos "Comandos"


A Procuradora Cândida Vilar é a coordenadora da investigação, com a colaboração da Polícia Judiciária Militar, das mortes dos instruendos  Hugo Abreu e Dylan Silva durante o 127º curso de "Comandos". A decisão é da responsabilidade de Lucília Gago, directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, e de Maria José Morgado,  que chefia a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.
A escolha, segundo Maria José Morado,  baseou-se  na "inestimável experiência" e "provas dadas de firmeza, combatividade e capacidade de exercício da acção penal relativamente ao fenómeno da criminalidade especialmente violenta, altamente organizada ou de natureza grupal com características itinerantes ou transnacionais" da procuradora.
Posso retirar da opinião acima citada que Cãndida Vilar foi encarregada do caso por se suspeitar que um  grupo de militares especialmente violentos e organizados terão contribuído para um crime especialmente brutal. 
No currículo da Procuradora, alcunhada de Superprocuradora nos meios em que se move, consta a detenção do maior grupo de skinheads de sempre, liderado por Mário Machado (ainda preso), e vários processos mediáticos como o do Gangue do Multibanco, o dos No Name Boys e a Máfia da Noite. 
Desta feita, quiçá para evitar mais "barracas" como as fugas prolongadas do "Palito", do "Piloto" e dos árabes que se escapuliram do aeroporto de Lisboa, o Ministério Público, receoso talvez que os "Comandos" se entrincheirassem nalguma serrania e nunca mais os encontrassem, foi prender, com o devido aparato, sete "Comandos", médico responsável pelo acompanhamento dos recrutas e o director do curso e cinco instrutores. Os detidos, já como arguidos, segundo a PGR, são suspeitos de crime de abuso de autoridade e ofensa à integridade física.
A procuradora Cândida Vilar deduz que os sete militares detidos eram “movidos por um ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do Grupo de Comandos, cuja supremacia apregoam, à gravidade e natureza dos ilícitos”. Ponto final. Isto, concluiu ela, ainda antes de o juiz de instrução ouvir os detidos. 
Fico agora a perceber, passando esta crónica ao plano da minha experiencia pessoal, que os meus instrutores do Curso de Operações Especiais (Rangers) efectuado em Lamego, no início dos anos 70 me "odiavam patologicamente" quando me mandaram marchar 90 km em 24 horas por serras e vales da Beira Alta, carregado com armas, munições e mochila, sem água, sem comida, com Técnica de Combate, campos de infiltração, rappel, fogo com metralhadoras pesadas, granadas e morteiros pelo meio, isto logo a seguir a uma semana de Dureza 11 no mato, sem dormir, água muito racionada e um pão e uma conserva de ração diária para sobreviver a todo este esforço. 
Era também "ódio patológico" contra a minha pessoa quando esses instrutores passaram semanas a insultarem-me e a minha família e a berram-me aos ouvidos que iria "morrer ali".  Por acaso ia morrendo mesmo quando o "tunel do amor", na serra das Meadas, desabou quando ia a rastejar de costas dentro dele e foi um dos cães, o Jack, que sempre nos acompanhavam, quem deu o alarme  e lá me retiraram a custo, meio sufocado, com o nariz e a boca cheios de terra. Vá lá, pelo menos o cão não me "odiava patologicamente"...
Acho que a Procuradora confunde "ódio patológico" com a encenação psicológica que é necessária e fundamental num curso de tropas especiais. E verdade que existem sempre instruendos que são mais causticados que outros mas isso decorre da forma como cada um reage ao esforço físico ou psicológico e quando erram são sujeitos a um TE (Tratamento Especial). Mas todos passámos por isso em Lamego. 
Se é verdade que um quartel não pode ser um "matadouro" também é verdade que não é um local de culto democrático. Ali impera o Regulamento de Disciplina Militar. 
Se estes cursos são demasiado duros para a sociedade de hoje é algo que, sem dúvida, deve ser discutido. Especialmente numas Forças Armadas com muito material obsoleto, desde espingardas a aviões, passando por navios. Não vale a pena esconder ou sobrevalorizar ou manifestar surpresa pela existencia de vítimas nos treinos militares. Houve dezenas de mortos no passado e haverá mais algumas no futuro. Eu fui testemunha de casos mortais.
È desonesto é que autoridades militarem, civis ou judiciais finjam que nunca se passou nada.