sexta-feira, 5 de maio de 2017

Timo Makinen "voa" para a eternidade


Faleceu Timo Makinen, aos 79 anos, o primeiro "finlandês voador" do automobilismo mundial. Foi o pioneiro de uma longa linhagem de ilustres filhos da Finlândia cujos carros voavam nas provas de ralis e deixavam os espectadores em delírio. A foto acima publicada é uma prova cabal da coragem e da perícia desta nova classe de guerreiros das corridas. 
Numa altura em que os carros não dispunham das ajudas complementares computorizadas e mecânicas para facilitar a tarefa dos pilotos, só quem tinha unhas, talento e ousadia dispunha de coragem para levar estes carros "primitivos" mas lendários aos limites. 
A vitória mas lembrada de Timo Makinen aconteceu no célebre Monte Carlo, em 1965, ao volante de um Mini Cooper S que assombrou tudo e todos. No ano seguinte, o finlandês repetiria o triunfo à frente de outros três carros da mesma marca, mas, numa das mais vergonhosas decisões de sempre da organização, seriam todos eliminados por causa dos filamentos dos faróis de iodo. 
Três primeiros lugares consecutivos de Timo Makinen e do pequeno Cooper S no Rali dos 1000 Lagos (Finlândia), em 65, 66 e 67, e mais três primeiros lugares consecutivos no Rali do RAC (Inglaterra), num Ford Escort RS 1800, em 73,74 e 75, projectaram-no para a imortalidade. 
Que descanse em paz. 

domingo, 30 de abril de 2017

Marcelo arrasa Costa


Aconteceu no Colégio Moderno. Marcelo esteve presente para enaltecer a acção de Mário Soares na vida portuguesa e ajudar a manter vivo o mito urbano de que o fundador do PS é o "pai da democracia". Enfim, manias que a História, mais tarde, recolocará no seu devido lugar. O mais interessante, porém, perante aquela plateia de jovens, aconteceu quando Marcelo resolveu arrasar o primeiro-ministro António Costa e o seu "optimismo irritante". 
O Presidente da República entreabriu um pouco a cortina de silêncio das reuniões entre ele o chefe do governo e explicou aos jovens como contraria as notícias "cor-de-rosa", explanadas por António Costa e o seu constante sorriso de orelha a orelha nas suas feições hindús, e as confronta com o cenário "roxo" com que o inquilino de Belém vê essas "boas novas". 
Nesta palete de cores tão diferenciadas pelos dois detentores de cargos institucionais, Marcelo revela a teimosia atávica de Costa em repetir dez vezes "é rosa, é rosa..." para em resposta ouvir outras tantas vezes "é roxo, é roxo..."
Habituado a achincalhar, quantas vezes de forma ordinária a oposição no parlamento e até no próprio partido, António Costa ainda não percebeu que não passa de um chiquinho-esperto perante o instinto sibilino, melífluo mas letal de Marcelo Rebelo de Sousa.
A estocada final foi preparada com requintes de malvadez quando Marcelo se fez de esquecido e perguntou à plateia juvenil qual era a cor do Partido Socialista (!) e enterrou definitivamente o pobre e infeliz Costa com uma frase assassina, que lhe dirige amiúde para colocar uma lápide sobre o assunto...e não só: "Eu comento política há 50 anos!"
Aí, se ainda lhe restar algum laivo de lucidez política, Costa fica a saber que só será quem é enquanto Marcelo estiver disposto a aturá-lo. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

O 25 de Abril acabou no dia 25 de Abril



25 Abril de 1974. Chamam-lhe a Revolução dos Cravos. Sem sangue. Mentira. Morreram cinco pessoas na Rua António Maria Cardoso vitimadas por rajadas de metralhadora de agentes da PIDE. Irrita-me esta imprecisão histórica ou manipulação orquestrada com intuitos políticos. 
Houve cravos distribuídos por soldados? É verdade. Mas não como é propagandeado há décadas. Naquele dia ninguém comprava flores e as vendedoras deram-nas. A quem? A muitos soldados, alguns deles até se encontravam na rua em defesa do Estado Novo, como os militares do Regimento de Infantaria 1, Polícia Militar e Regimento de Cavalaria 7, ou seja, inimigos do Golpe de Estado.
No entanto, nas primeiras horas não houve cravos para ninguém. A situação tanto poderia pender para um lado como para o outro. Apenas começou a definir-se quando, no Terreiro do Paço, os carros pesados M-47 não abriram fogo às ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis e desfizeram as AML, da Escola Prática de Cavalaria, com o auxílio da fragata comandada por Seixas Louçã, pai de Francisco Louçã.
Em face da vitória no Terreiro do Paço, a coluna da EPC dividiu-se e enquanto o capitão Salgueiro Maia se dirigiu para o Largo do Carmo, o major Jaime Neves foi "conquistar" a Legião Portuguesa, na Penha de França.
Neste trajecto pelas ruas da Baixa, ofereceram alguns cravos aos soldados até que um deles o colocou no cano da G3 porque na farda era proibido e a mão livre segurava um cigarro. Alguns imitaram-no. Poucos.
No Largo do Carmo, a situação era difícil e não havia lugar para flores. Duas companhias da GNR, uma companhia da Polícia de Choque, os quatro blindados pesados de Cavalaria 7 e elementos da Polícia Militar ainda afectos ao governo cercavam o esquadrão da EPC. Por duas vezes Salgueiro Maia mandou disparar contra a fachada do quartel mas mesmo assim a GNR não se rendia e foi por um triz que o canhão da Panhard não desfez as portas do quartel, o que não aconteceu por terem aparecido dois negociadores conotados com o general Spínola.
A chegada do coluna de carros de combate proveniente do Regimento de Cavalaria de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura, aliviou o cerco a Salgueiro Maia e acabou definitivamente com a presença da GNR, Polícia de Choque e RC7 no Largo do Camões e no Chiado. Era o triunfo do Golpe de Estado.
Temos, portanto, soldados e cravos transformados em ícones do 25 de Abril. Mas falta alguém. Quem? As putas. Sim, as mulheres da vida apoiaram os militares nas horas críticas. Ofereceram-lhes comida, bebidas, tabaco e, acalmadas as tensões bélicas, levaram-nos para a cama, acarinharam-nos, uniram os corpos, excitaram outras emoções, descarregaram na carne as tensões do momento histórico. Tudo grátis. De gratidão. 
Da Revolução ficaram os cravos e as putas esfumaram-se no politicamente correcto da História.
Eu lembro-me delas e saúdo-as. Não gosto de cravos!
Mas o 25 de Abril começou e terminou no 25 de Abril. Logo pelas 19h00 o MRPP irrompeu pelos Restauradores com uma manifestação. Os partidos entravam em cena. Gulosos de poder e mordomias atiraram-se ao Estado e aos cofres dos dinheiros públicos de todos nós como gato a bofe.
Civis e, infelizmente, militares alistaram-se nas benesses dos partidos políticos e engalfinharam-se pelo poder e pelo dinheiro. A "revolução" trouxe a liberdade de saquear o erário público e daí nasceu uma clientela política oportunista e gananciosa que dura há 43 anos. Os primeiros a tratarem das suas vidas opulentas foram os deputados que pariram leis que lhes garantiam uma vida desafogada. Depois vieram outros ainda mais sedentos de regalias como, por exemplo, os funcionários do Banco de Portugal que usufruem de direitos pornográficos. A democracia quedou-se no papel e nas migrações pontuais às urnas de voto. Mas todos saqueiam por igual.
A corrupção atinge níveis que a frágil economia do país não suporta. As empresas públicas e os funcionários públicos empocham muito acima dos pobres privados que os suportam através de impostos rechonchudos. A Constituição exige igualdade. Ninguém a cumpre. Tal como no Triunfo dos Porcos, uns são mais iguais que outros. 
E os sucessivos governos, incluindo esta geringonça actual mantida por um presidente comediante, tem reduzido Portugal a uma imensa pocilga moral e material. 
Comemorar? Só se for "outro" 25 de Abril...

domingo, 23 de abril de 2017

Os franceses de Hitler


A França foi hoje às urnas para escolher os dois candidatos que disputarão numa segunda volta a presidencia da República. São onze candidatos, uma, Marine Le Pen, que todo o mundo conhece e mais dez que ninguém conhece de lado algum. Os franceses são um povo esquisito. Os seus antepassados, os gauleses, foram massacrados pelo centurião e mais tarde imperador de Roma, Júlio César, em Alésia, uma batalha de que eles nem querem ouvir falar. Séculos depois, em Poitiers, Carlos Martel travou o avanço muçulmano na Europa, depois dos mouros já ocuparem a quase totalidade da Península Ibérica. Na altura, ele foi considerado um herói, hoje seria acusado de xenofobia e racismo pela malta dos partidos que vivem à custa do Estado. 
Há duzentos e tal anos, a tão aclamada Revolução Francesa, da Liberdade, Fraternidade e Igualdade não aplicou estas premissas aos muitos milhares de cidadãos que perderam a cabeça na guilhotina e ainda pariu uma dos maiores assassinos da Humanidade, um tal Napoleão Bonaparte que destruiu grande parte da Europa, incluindo Portugal -- a maçonaria não permite que seja publicada nos livros de história a calamidade que os jacobinos tricolores causaram no nosso país. 
Nos últimos cento e tal anos, os franceses foram esmagados por tres vezes pelos alemães e só mantiveram a integridade territorial graças à intervenção de múltiplos países de todo o mundo que verteram o sangue em solo gaules não por simpatia pelos nativos mas apenas por questões políticas.
Na II Guerra Mundial é sabido que a França teve um governo colaboracionista dos nazis com sede em Vichy e com o general Pétain como presidente. Há, no entanto, pormenores obscuros que mal saem a público. E nada dignificantes. 
No estertor da Batalha de Berlim, com as tropas soviéticas a avançarem casa a casa, rua a rua em direcção ao bunker onde se acolhia Hitler e os resquícios da Alemanha Nazi, quem defendia o ditador alemão do destino que se afigurava inevitável eram soldados franceses. Isso mesmo. Por inacreditável que seja, quem travou o mais possível a onda militar soviética do marechal Jukov eram franceses pertencentes à Divisão SS Charlemagne do hauptsturmfuhrer Henri Joseph Fenet, um herói condecorado com a Cruz de Ferro.
A França tem sido assim mesmo. Há muitas luzes e sombras na sua História.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A mentira dos afectos


A venda que não é venda do Novo Banco por uma mão cheia de nada é uma das imagens mais pungentes do Portugal social-comunista actual. Esta "borla", que custou e custará aos contribuintes indígenas milhares de milhões de euros, demonstra o lamaçal económico e financeiro em que esta política de mentiras apoiada por falsidades afunda o país, apesar de a propaganda oficial infestar tudo e todos com simpáticos números deturpados e irrealistas. 
No consulado da geringonça não existe qualquer défice de 2,1%. É uma artimanha congeminada com receitas extraordinárias que nem sequer entraram nos cofres do Estado, pagamentos adiados que colocam em perigo actividades básicas e essenciais como a saúde e negociatas obscuras com cúmplices desonestos de Bruxelas para vários itens não entrarem nas contas públicas. 
Mas não é só a catástrofe do Novo Banco que assombra a estabilidade moral e estrutural desta sociedade adormecida por uns míseros euros revertidos para o bolso dos funcionários públicos e logo sonegados por taxas e taxinhas para manter uma política socialista de miséria à vista quando, enfim, a realidade brutal despertar os walking deads que por aí pululam. Há que contar ainda com as diatribes vergonhosas da Caixa Geral de Depósitos, a confusão patronal da TAP, as engenhocas para esconder a realidade do Montepio e muitissimos outros casos em que se vendeu a alma a diabo para que um ganancioso judas da política alcançasse o poder a qualquer custo.
A esperança da inversão deste caos fina-se, no entanto, quando o guardião do regime acolhe afectuosamente esta mentira descarada da actualidade nacional. Assim não há nada a fazer. Ou haverá?

quarta-feira, 22 de março de 2017

Euros, copos e mulheres

O presidente do Eurogrupo, o holandes Jeroen Dijsselbloem, afirmou que os países do sul da Europa gastam o dinheiro que lhes é emprestado pela Europa em copos e mulheres. A acusação ou a observação do calvinista e socialista dos Países Baixos despoletou uma onda de indignação nos políticos portugueses, com o primeiro-ministro António Costa a classificar as palavras do seu companheiro ideológico de "xenófobas, sexistas e racistas". O costume, agora qualquer expressão fora do politicamente correcto é imediatamente catalogada com os estereótipo dos guardiões da moralidade.
Acho normal que um fornecedor de milhares de milhões de euros queira saber como o receptor dessas fortunas gasta o dinheiro que lhe é adiantada, seja em negócios entre estados ou entre particulares.
Esta postura de virgem ofendida de António Costa é tão descabelada como cínica. Sendo um político que sempre viveu à sombra do Estado, ou seja à custa dos impostos dos contribuintes e também dos fundos e empréstimos de Bruxelas, o actual primeiro-ministro sabe como ninguém por onde se escoam milhares de milhões de euros.
O "assassino político" de António José Seguro esquece-se ou quer-nos fazer esquecer que foi o nº 2 de José Sócrates e, como tal, detentor de muitos "segredos de Estado" que conduziram o país para o abismo da "troika". No entretanto vai-se descobrindo a escandalosa situação dos bancos e de muitas das maiores empresas portuguesas, agora definhadas pelas negociatas  investigadas pelas autoridades.
Há 40 anos que Portugal é um antro de corrupção e favores públicos e políticos e sabe-se como os dinheiros da Europa foram esbanjados numa percentagem significativa em bares de alterne e "importação" maciça de brasileiras e ucranianas para entreter os galifões das aldeias mais reconditas do país. 
Ainda se lembram da revolta das mulheres de Bragança?

domingo, 12 de março de 2017

O golpe de 11 de Março de 1975


O general António de Spínola e um grupo de oficiais de Direita tentou inverter no dia 11 de Março de 1975 o rumo político, social e militar do golpe de Estado ocorrido no dia 25 de Abril de 1974. Registaram-se confrontos entre unidades em Lisboa, o país entrou em ebulição e esteve à beira da guerra civil, mas, felizmente o bom-senso prevaleceu e as armas calaram-se.
No entanto, o país mudou radicalmente a partir dessa data. Spínola fugiu para Espanha com o seu estado-maior, os oficiais de extrema-esquerda ascenderam aos postos-chave do poder, o PCP incentivou as nacionalizações e o assalto às terras e às empresas, iniciando-se o período que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975.
A História pode repetir-se, ou não, mas, actualmente, sem armas nem tiros, existe um cheirinho a PREC com esta Geringonça social-comunista do António Costa, amparado por Marcelo, Jerónimo e Catarina. Até quando se verá e até onde também. Os indícios são preocupantes e não auguram tranquilidade num futuro mais ou menos próximo. Veremos.

Encontrava-me em Lamego quando se desencadeou o golpe militar do 11 de Março de 1975. Era aproximadamente meio-dia e fazíamos exercícios de fogo real na Serra das Meadas. O ambiente de rara beleza natural acentuado pelo manto de neve estremecia com os disparos secos das G-3, o matraquear das HK-21, MG-42, Bren, Dreise e outras máquinas de matar de cadência rápida, intercalados com as explosões  imponentes dos morteiros 60 e 81.  Um jipe chegou em grande velocidade pelo caminho de terra. O alferes trazia uma mensagem urgente (relâmpago) para o oficial que se encontrava a comandar os grupos de Rangers que afinavam a perícia com as armas. O tenente leu a mensagem, chamou os oficiais e sargentos e conferenciaram. Os rostos fechados não auguravam boas notícias. 
O material bélico foi recolhido rapidamente para as Berliet e os Unimog e em menos de um fósforo iamos a caminho do Centro de Instrução de Operações Especiais. 
Os Rangers estavam sempre preparados para qualquer eventualidade com um grau de prontidão mais rápido que a própria sombra. Chegados ao quartel, depará-mo-nos com uma actividade ainda mais frenética que o normal. Montavam-se anti-aéreas quádruplas Breda, armadilhava-se locais estratégicos, espalhavam-se bidões de combustível pela parada. O pessoal estava todo armado e municiado até aos dentes. 
O oficial-de-dia, um tenente que sobrevivera milagrosamente no Ultramar à explosão de minas sob a sua Berliet por duas vezes, não teve papas na língua para informar todo o pessoal: 
-- Camaradas, a Força Aérea revoltou-se e anda a bombardear unidades em Lisboa. Não sei quem está a favor ou contra quem, mas aqui a questão é simples. Qualquer filho da puta que se atreva a aproximar do quartel é abatido! Está entendido ? A gente está com a revolução do 25 de Abril mas o nosso quartel é sagrado. Aqui ninguém mete as patas. Destroçar e cada um para o seu posto de combate.

O "filme" dos acontecimentos: 

[Elementos ligados ao movimento, incluindo António de Spínola. Reuniram-se em casa do major Martins Rodrigues.

8:00 – O coronel Moura dos Santos, comandante da Base, perante oficiais e sargentos, fez um briefing explicando os objectivos políticos, alvos a atingir e meios a utilizar. Os majores Mira Godinho e Neto Portugal e o capitão Brogueira reuniram com os comandantes e pilotos, distribuindo as missões que a cada uma cabia.
8.30 – Os oficiais, sargentos e praças da Base Aérea nº 3 foram informados de que a instrução normal do princípio da manhã fora cancelada. Perto, no regimento de Caçadores pára-quedistas, o coronel Rafael Durão reuniu os oficiais para lhes explicar a operação, dizendo ter recebido ordens do CEMFA (Chefe de Estado Maior da Força Aérea), o que não era verdade

9:00 – Em Tancos, entrou em cena o general Spínola que, no seu estilo grandiloquente, falou em nome da «pureza do processo de 25 de Abril», dizendo que para evitar «a prostituição das Forças Armadas», era preciso dizer “basta!” à escalada comunista. Enquanto o general perorava, na pista, aviões T-6, helicópteros e helicanhões eram abastecidos e municiados.

9:40 – Na Base Aérea nº 6 (Montijo) , o coronel Moura de Carvalho, comandante da base, colocou em estado de alerta todos os meios aéreos.
10.30 – O major Casanova Ferreira, comandante distrital da PSP de Lisboa, deu conhecimento do golpe a alguns oficiais daquela corporação.
10:45 – De Tancos, descolaram os seguintes aviões: dois T-6 armados com metralhadoras e ninhos de foguetes anti-pessoal, pilotados pelo major Neto Portugal e segundo-sargento Moreira, tendo como alvos, além do R. A. L. 1, as antenas da R. T. P. e Forte do Alto do Duque; dez 10 Allouette III, transportando um grupo de 40 pára-quedistas. Dois dos helicópteros estavam armados com canhão, tendo como missão o bombardeamento do R.A.L.1. Eram pilotados pelos major Zuquete e major Mira Godinho, aos canhões estavam os alferes Oliveira e primeiro-cabo Carapeta. Na operação inseria-se o lançamento sobre Lisboa de panfletos, missão que foi executada por dois dos heli-transportadores, pilotados pelos capitão Oliveira e tenente Jacinto. Os restantes heli-transportadores eram pilotados pelos alferes Chinita, alferes Afonso, alferes Mendonça, segundo-sargento Ladeira, segundo-sargento Souto e furriel Emaúz; três Noratlas com 120 pára-quedistas destinados a cercar o R.A.L.1.- dois T-6 desarmados, com missão de intimidação. Eram pilotados pelo capitão Faria e alferes Melo, ambos da B.A.7 e em diligência na B.A.3.
11:00 – O comandante da B.A.5 (Monte Real) o coronel Naia Velhinho, recebida uma indicação vinda de Lisboa por via normal, colocou a base em estado de prevenção rigorosa.
11:15 – A B.A.6 (Montijo) entrou também em prevenção rigorosa.
11:30 — Todas as Unidades da Força Aérea passaram a prevenção rigorosa. A esta hora chegaram à B.A.5, num Aviocar vindo de Tancos, o coronel Orlando Amaral e o tenente-coronel Quintanilha. Recebidos pelo comandante da Base, e na presença dos majores Simões e Ayala, enunciaram os tópicos da operação. Invocando o general Spínola, pediram a Velhinho que enviasse aviões F-86F para fazer passagens baixas de intimidação sobre o RAL1, a Avenida da Liberdade e o quartel-general do COPCON. Desconfiado, o comandante telefonou CEMFA, não obtendo resposta conclusiva. Entretanto o major Simões fez um briefing com os pilotos da esquadra dos F-86F, repetindo o que escutara no gabinete do comandante da base. Alguns oficiais manifestaram-se imediata e abertamente contra, recusando-se a aderir àquilo que, desde logo, configurava um golpe de direita.
11:45 — Chegaram à B.A.3, de helicóptero, o brigadeiro Lemos Ferreira e o tenente-coronel Sacramento Marques, delegados do C.E.M.F.A. e C.E.M.E., procurando esclarecer a situação.
11:45,/11:50 – O RAL.1 começou a ser atacado pelos T6 da Base Aérea nº 3, sendo atingidas as casernas dos soldados e os principais edifícios do aquartelamento. Morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís e houve 15 feridos e muitos estragos nas instalações da unidade. Neste, ataque foram consumidas 220 munições de metralhadoras calibre 7,7mm e 99 foguetes Sneb 37mm anti-pessoal dos T-6 e 318 munições de MG-151 de 20mm dos helicanhões.
11:50 – Na base do Montijo aterraram dois helicópteros Alouette III, estando um armado. O héli desarmado aterrou numa das ruas de acesso à placa, tendo deixado um pára-quedista ferido e cujo piloto, o alferes Chinita, também ferido, viria a ser recuperado pelo heli-canhão uns metros mais à frente.
12:00 – Tropas pára-quedistas, do Regimento de Pára-quedistas de Tancos, sob o comando do major Mensurado cercaram o RAL 1. À mesma hora o COPCON iniciara a movimentação para neutralizar o golpe, ocupando o Aeroporto e encerrando-o ao tráfego civil No Quartel do Carmo, oficiais da G.N.R. no activo e outros afastados do serviço, comandados pelo major Freire Damião, prenderam o comandante-geral e outros oficiais fiéis ao MFA.

12:05 – As forças do RAL 1, comandadas pelo capitão Diniz de Almeida, tomaram posições de combate e estabeleceram um perímetro de segurança, ocupando prédios em frente do quartel.
12:20 – Da Base de Tancos descolaram três helicópteros Allouette, com 12 elementos para sabotar as antenas do Rádio Clube Português, em Porto Alto. Um deles estava armado com canhão, sendo pilotado pelo segundo-sargento Leitão, tendo ao canhão o segundo-sargento Bernardo de Sousa Holstein. Os outros dois eram pilotados pelo alferes Laurent e segundo-sargento Serra. A esta hora, da Base do Montijo descolaram cinco helicópteros com destino a Tancos tendo um deles levado o pára-quedista ferido ao Hospital da Força Aérea no Lumiar e juntando-se aos outros na Chamusca.
12.45 – No exterior do RAL 1 ocorreu o diálogo entre o capitão Diniz de Almeida e o capitão pára-quedista Sebastião Martins gravado pelas câmaras da RTP: “Diniz de Almeida: – porque é que o camarada não vem comigo ao COPCON? Reconhece ou não a autoridade do COPCON? o General Carlos Fabião, o Chefe do Estado Maior do Exército? Os nossos chefes deram-nos ordens contrárias…A si de atacar…a mim de me defender…Porque não deixamos que eles discutam o assunto? Sebastião Martins: – As Forças Armadas não estão consigo. Diniz de Almeida: – Se assim for, não terei a mínima dúvida em me render à maioria. Mas, que eu saiba, o Exército está connosco, a Marinha está connosco, só vocês é que não. Sebastião Martins: – Vamos ver. Vamos então esperar que os nossos chefes decidam.” Os dois comandantes, Coronel Mourisca do RAL 1 e Major Mensurado dos pára-quedistas deslocam-se ao Estado Maior da Força Aérea para esclarecer a situação e tentar um acordo]
Com o Centro de Instrução de Operações Especiais já preparado para "receber" quem quer que fosse com o rótulo de "IN" (inimigo), organizámos a segurança activa fora do perímetro do quartel, ocupando pontos estratégico em redor da cidade com pequenos grupos emboscados e a perspectiva de ir ao aeródromo de Vila Real rebentar com aquilo tudo. 
Com a fuga do general António Spínola e dos cúmplices do golpe para Espanha o objectivo da pista de Vila Real deixou de ser um objectivo concreto mas tomámos todas as estradas em redor de Lamego durante dias a fio. 
Felizmente, apesar da morte do soldado Joaquim Luís e de vários feridos no bombardeamento do Regimento de Artilharia, em Lisboa, o bom-senso prevaleceu e evitou-se por um triz uma sangrenta guerra civil. 

Já lá vão 42 anos.