domingo, 11 de junho de 2017

5 de Outubro de 1143


Mal se instalou no poder, a I República, parida  a ferros da Revolução de 5 de Outubro de 1910 reordenou os feriados de Portugal. Em vez de se preocuparem com assuntos mais prementes para um país  arruinado, tal como agora, os neo republicanos perseguiram os padres, assediaram  as freiras, transformaram os mosteiros em juntas de freguesia e repartições públicas com funcionários corruptos e laicizou os dias de "folga" suplementar. O arco do poder saído das bocas dos canhões do comissário Machado dos Santos, na Rotunda, ainda sem o Marquês de Pombal e adeptos do Benfica ou do Sporting a festejarem títulos nacionais, claques muito mais violentos que a própria revolta maçónica, deixou aos municípios a autonomia para escolherem no calendário uma data comemorativa para o pessoal lixar ainda mais o défice e as contas públicas. É curioso como nessa altura não se encontrava por cá o FMI mas sim funcionários das  finanças inglesas a controlarem (e receberem) o imposto sobre o tabaco, o que originava uma cortina de fumo nas reuniões ministeriais. Em  Lisboa, o António Costa da época carimbou o 10 de Junho como o Dia de Camões e lá foram os alfacinhas para a praia de Algés com aqueles bikinis de gola alta ou para o campo trincar uns pastéis de bacalhau com arroz de tomate. Ou de grelos. Sem a pavorosa perspectiva de andarem dias e dias com a calças na mão até lerparem, como actualmente se arrisca com os pepinos assassinos, que começaram por ser distribuídos pela ETA agrícola espanhola e agora parece ser obra e graça da Al Qaeda leguminosa infiltrada na agricultura europeia. 
O dia 10 de Junho  assinala a morte do poeta Luís de Camões em 1580, o sacana do gajo que deu cabo do toutiço a tanta malta que até gostava de estudar, mas que desistiu com a seca das "armas e dos barões assinalados". O filho da mãe, sem ofensa para a senhora, bem podia ter ido além da Taprobana e por lá ter arrumado os trapos com uma oriental com pachorra para o aturar. Mas não, o homem tinha o diabo no corpo e mesmo zarolho e quase a afogar-se ainda conseguiu salvar os malfadados rascunhos d' Os Lusíadas, uma bicha interminável  de estrofes em linguagem cifrada e mais indecifrável que o Acordo Ortográfico impingido  aos portugueses para salvar algumas editoras da falência. No entanto, o Portugal além-Lisboa  enão atribuiu qualquer significado especial a esta data e passou por ela como cão por vinha vindimada. Os tótós que têm estado a (des)governar e a governar-se à custa de Lisboa desconhecem certamente que a cidade  foi conquistada aos Mouros em 24 de Outubro de 1147 por um tal  D. Afonso Henriques, com a mãozinha marota  de cruzados normandos, ingleses, normandos, galeses, flamengos e germânicos. O 24 de Outubro, obviamente, é que deveria ser o feriado municipal de Lisboa e não o estapafúrdio 10 de Junho...para não falar do 13 do mesmo mês. Mas, enfim, quando são os ignorantes que ascendem aos cargos públicos o resultado só pode ser asneira. Persiste, contudo,  o mistério de que cabecinha pensadora teria saído o raio da ideia de 10 de Junho Dia de Portugal... A realidade nacional caminha, trôpega, sempre desfasada da realidade histórica. 
Anos depois, o marechal Gomes da Costa trotou num cavalo branco de Braga até Lisboa pelas SCUT do 28 de Maio para desaguar no Estado Novo. Mais uma vez, para variar, a mania de mexer nas datas também deu a volta ao miolo à cabeça do Presidente do Conselho (que não aceitava conselhos de ninguém...) nos intervalos de fazer contas para safar  o país do colapso financeiro e económico. O ditador, o autocrata, o génio (como queiram) promoveu o 10 de Junho a Dia de Portugal, de Camões e da Raça. Lisboa, entretanto, mudou o seu feriado municipal para 13 de Junho, continuando a ignorar liminarmente o dia histórico de 24 de Outubro de 1147 e o azar heróico do pobre do Martim Moniz, que ficou entalado na porta do Castelo de S. Jorge para os cruzados cristãos  entrarem sobre o seu cadáver e massacrarem calmamente os tetravôs de Bin Laden. Se a capital mandou às malvas o seu dia mais importante de sempre, Portugal fez exactamente o mesmo em relação à sua fundação e o reconhecimento pelo rei de Espanha, já sem paciência para nos aturar, como estado independente, em 5 de Outubro de 1143, divórcio consumado com a assinatura do Tratado de Zamora. 
Em qualquer país normal, o dia nacional de Portugal seria a 5 de Outubro, não pela implantação da República ou também por isso e todos ficavam satisfeitos, e não a 10 de Junho. Mas a normalidade cá pela terra não é atributo que se recomende. Que diabo, será o dia da morte de um poeta galdério sempre apaixonado pelas mulheres dos outros e que em vez de as papar em silêncio, como qualquer cavalheiro que se preze, vinha lamentar-se em sonetos que os amigos lhe punham os palitos em vez de lhes enfiar um murro nas trombas,  mais importante que o dia da Independência? 
A Islândia orgulha-se de erguer no centro da capital Reykjavic a estátua de Leif Eiricsson, o Vermelho, o primeiro europeu a chegar à América, 500 anos antes dos livros de História atribuírem esse feito ao mercenário Cristóvão Colombo. Nós contentamo-nos com o Largo do Camões e a estátua polvilhada de cagadelas de pombo e, voilá, eis o nosso herói nacional. 
Não há ninguém no Mundo que não conheça George Washington, o general que conduziu os Estados Unidos à independência, mas, salvo meia dúzia de eruditos, para lá de Badajoz se perguntarem quem é esse tal Luís de Camões respondem que é centro-campista do FC Porto, presidente do Benfica, o treinador do Sporting ou o novo secretário-geral do Partido Socialista. 
A III República, depois do 25 de Abril, também ainda não se deu ao trabalho de mudar a data do Dia de Portugal para o sítio certo: 5 de Outubro. Pior, tem sido o dia em que os contrabandistas são elevados (?) a comendadores, os políticos agraciados por levarem o País à bancarrota, os cineastas de filmes que ninguém vê nem entende medalhados com a grã-cruz disto ou daquilo, mais uns parasitas da sociedade ornamentados com uns penduricalhos, uma ofensa aos verdadeiros heróis civis e militares de Portugal. A fechar a tragicomédia desta data ainda se grama como sobremesa com discursos metafóricos, redondos e evasivos dos sucessivos PR's que têm pelo menos a vantagem de serem tão imperceptíveis aos portugueses como aos finlandeses, tailandeses ou aos agora tão em moda paquistaneses e indianos. Chinesices!
E assim lá continuamos cantando e rindo em cada 10 de Junho. Até quando?

terça-feira, 23 de maio de 2017

Andam a matar a Europa


Mais um atentado terrorista nesta sanha de quererem matar a Europa. Desta vez aconteceu em Inglaterra, Manchester, uma cidade manchada com o sangue de 22 inocentes que nunca mais assistirão a um nascer ou a um por-do-sol e ainda cerca de meia centena de feridos. Seguiu-se a narrativa do costume: muçulmano, de origem líbia, nacionalidade britânica. É isso, Os países europeus, com a doçura da democracia, do multiculturalismo, dos direitos humanos e outras fraquezas politicamente correctas, andam a permitir a morte da Europa, dos princípios e dos seus  valores, criando no seu seio seres abomináveis que apenas sabem conviver com a morte. A deles, que não se perde nada, e a de muitos inocentes, que se perde muito.
A Europa não consegue estancar esta matança e ainda não entendeu como lidar com os grupos provenientes de madrassas onde se professa o assassínio e o terror, não em longínquas terriolas desérticas da Península Arábica, mas, inexplicavelmente, em cidades cosmopolitas como Londres, Manchester, Paris, Bruxelas, Amesterdão, Estocolmo, etc. As autoridades desses países conhecem os lugares onde se fabricam os terroristas e inexplicavelmente permitem que os imãs continuem a instruir o jihadismo em autênticas universidades da morte. 
Digo e repito que os terroristas não são criminosos de delito comum nem merecem as benesses do estado de direito. São gente para abater e nada mais. 
Segundo as notícias, este "mohammed" estava referenciado pela polícia e, no entanto, movimentava-se a seu bel-prazer por esta Europa de portas escancaradas a toda a escória humana e onde se circula de Lisboa a Varsóvia sem qualquer controlo policial. Um paraíso, sem dúvida, para estes seres desprezíveis.
A população tem de começar a pedir contas aos respectivos governos por estes sucessivos massacres. É que, ao não tomarem medidas enérgicas contra esta praga assassina e recambiá-la para bem longe, estão a tornar-se cúmplices por omissão destas tragédias. Não basta ser #je suis isto ou aquilo, há que actuar com resultados práticos antes que seja tarde. 
Quem ainda duvidar dos objectivos desta gente que leia a história do Kosovo...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Os Salvadores da Pátria


Eis senão quando os salvadores da Pátria irrompem como cogumelos neste jardim de eucaliptos à beira-mar plantado. Assim como quem não quer a coisa, Bruxelas promete retirar Portugal da lista negra dos piratas de défice excessivo. Os números atingidos pela geringonça assim o exigem. O curioso neste caso é que ninguém sabe ao certo como Costa & Cª conseguiram a proeza. Sem qualquer reforma estrutural e sucessivas reposições de mordomias aos funcionários públicos, sem se descobrir petróleo no Beato ou existir uma invasão de empresas a investir por cá, desconfio que há muita despesa a ser varrida para debaixo dos tapetes, muitos doentes sem a assistência devida, escolas sem a vigilância ideal e a quase totalidade dos departamentos públicos sem papel (higiénico e não só), transportes sem manutenção, tribunais sem funcionários e segurança reduzida ao mínimo. Toda esta evolução, portanto, só poderá resultar dos trocos saídos dos bolsos das hordas de turistas que esgotam todos os espaços possíveis e imaginários para descansar o coirão, desde as sumptuosas suites do Ritz ao galinheiro da Dª Felismina de Alfama. 
Até quando está prosperidade se manterá, isso é outra conversa, apesar do reforço multimilionário devido à mudança de Madonna para Lisboa... 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ser "Comando" é arriscado


O Ministério Público que investiga a morte de dois instruendos ocorrida durante o Curso 127 de "Comandos" anda a divagar numa série de erros e pressente-se a sua orientação em tentar castigar aquela instituição militar como um "bando de homicidas". Em primeiro lugar, o MP começa logo por considerar o Exército como uma democracia onde se encontram presentes todos os direitos humanos. Não é. Mal da tropa se fosse um lugar onde as decisões se tomam por votação. Havia de ser bonito se em caso de acção uns votassem pelo combate e outros pela fuga.
Se em situações normais prevalece a hierarquia, num curso de "Comandos" os instruendos são sujeitos a "abusos de poder" e estão, como eu e muitos milhares de outros estiveram, na bizarra situação de "abaixo de cão". Quantas vezes na parada tinhamos de saudar militarmente os cães porque eles eram nossos superiores. Faz parte da componente psicológica do curso. Andei dezenas e dezenas de quilómetros com os instrutores a berrarem-me aos ouvidos "vais morrer, vais morrer" ou "a tua mãe é uma cabra" ou "a tua mulher (ou namorada) estão a esta hora a foder com outros". E então? Fechava os ouvidos e concentrava-me na caminhada e no esforço sobre-humano que tinha pela frente. 
Se um candidato a "comando" não aguenta um sopapo nas trombas ou um pontapé no cu não pode aspirar a concluir esta especialidade. Os "comandos" são tropas de assalto para resolver casos desesperados. Como se preparam estes homens se não com um treino duro, o mais próximo possível da realidade, independentemente do frio ou do calor, da neve ou da chuva.
Estes cursos são para voluntários que sabem ao que vão, inclusivamente são militares de outras especialidades e não civis desprevenidos. A morte é possível em qualquer altura destes cursos, desde uma queda do pórtico, do slide, do rappel, da vala, da escada escocesa, do muro, no campo de infiltração, no fogo real, enfim, entre tantos perigos os acidentes mais ou menos graves não são de excluir. A morte acompanha-nos do primeiro ao último minuto, mas não existe, como subentende o MP, homicidas paranóicos entre os instrutores. 
Quantas pessoas vão aos hospitais por se sentirem mal, são observadas e medicadas e morrem ao chegarem a casa. Inúmeras por ano. 
Eu sei o que custa perder um camarada em instrução. Acompanhei um furriel a uma DO para ser evacuado para Lisboa depois de ser atingido por um tiro de heli-canhão em Santa Margarida. Morreu e foi sepultado em Leiria. 
Nós choramos os nossos mortos mas a vida continua. E a instrução também. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Timo Makinen "voa" para a eternidade


Faleceu Timo Makinen, aos 79 anos, o primeiro "finlandês voador" do automobilismo mundial. Foi o pioneiro de uma longa linhagem de ilustres filhos da Finlândia cujos carros voavam nas provas de ralis e deixavam os espectadores em delírio. A foto acima publicada é uma prova cabal da coragem e da perícia desta nova classe de guerreiros das corridas. 
Numa altura em que os carros não dispunham das ajudas complementares computorizadas e mecânicas para facilitar a tarefa dos pilotos, só quem tinha unhas, talento e ousadia dispunha de coragem para levar estes carros "primitivos" mas lendários aos limites. 
A vitória mas lembrada de Timo Makinen aconteceu no célebre Monte Carlo, em 1965, ao volante de um Mini Cooper S que assombrou tudo e todos. No ano seguinte, o finlandês repetiria o triunfo à frente de outros três carros da mesma marca, mas, numa das mais vergonhosas decisões de sempre da organização, seriam todos eliminados por causa dos filamentos dos faróis de iodo. 
Três primeiros lugares consecutivos de Timo Makinen e do pequeno Cooper S no Rali dos 1000 Lagos (Finlândia), em 65, 66 e 67, e mais três primeiros lugares consecutivos no Rali do RAC (Inglaterra), num Ford Escort RS 1800, em 73,74 e 75, projectaram-no para a imortalidade. 
Que descanse em paz. 

domingo, 30 de abril de 2017

Marcelo arrasa Costa


Aconteceu no Colégio Moderno. Marcelo esteve presente para enaltecer a acção de Mário Soares na vida portuguesa e ajudar a manter vivo o mito urbano de que o fundador do PS é o "pai da democracia". Enfim, manias que a História, mais tarde, recolocará no seu devido lugar. O mais interessante, porém, perante aquela plateia de jovens, aconteceu quando Marcelo resolveu arrasar o primeiro-ministro António Costa e o seu "optimismo irritante". 
O Presidente da República entreabriu um pouco a cortina de silêncio das reuniões entre ele o chefe do governo e explicou aos jovens como contraria as notícias "cor-de-rosa", explanadas por António Costa e o seu constante sorriso de orelha a orelha nas suas feições hindús, e as confronta com o cenário "roxo" com que o inquilino de Belém vê essas "boas novas". 
Nesta palete de cores tão diferenciadas pelos dois detentores de cargos institucionais, Marcelo revela a teimosia atávica de Costa em repetir dez vezes "é rosa, é rosa..." para em resposta ouvir outras tantas vezes "é roxo, é roxo..."
Habituado a achincalhar, quantas vezes de forma ordinária a oposição no parlamento e até no próprio partido, António Costa ainda não percebeu que não passa de um chiquinho-esperto perante o instinto sibilino, melífluo mas letal de Marcelo Rebelo de Sousa.
A estocada final foi preparada com requintes de malvadez quando Marcelo se fez de esquecido e perguntou à plateia juvenil qual era a cor do Partido Socialista (!) e enterrou definitivamente o pobre e infeliz Costa com uma frase assassina, que lhe dirige amiúde para colocar uma lápide sobre o assunto...e não só: "Eu comento política há 50 anos!"
Aí, se ainda lhe restar algum laivo de lucidez política, Costa fica a saber que só será quem é enquanto Marcelo estiver disposto a aturá-lo. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

O 25 de Abril acabou no dia 25 de Abril



25 Abril de 1974. Chamam-lhe a Revolução dos Cravos. Sem sangue. Mentira. Morreram cinco pessoas na Rua António Maria Cardoso vitimadas por rajadas de metralhadora de agentes da PIDE. Irrita-me esta imprecisão histórica ou manipulação orquestrada com intuitos políticos. 
Houve cravos distribuídos por soldados? É verdade. Mas não como é propagandeado há décadas. Naquele dia ninguém comprava flores e as vendedoras deram-nas. A quem? A muitos soldados, alguns deles até se encontravam na rua em defesa do Estado Novo, como os militares do Regimento de Infantaria 1, Polícia Militar e Regimento de Cavalaria 7, ou seja, inimigos do Golpe de Estado.
No entanto, nas primeiras horas não houve cravos para ninguém. A situação tanto poderia pender para um lado como para o outro. Apenas começou a definir-se quando, no Terreiro do Paço, os carros pesados M-47 não abriram fogo às ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis e desfizeram as AML, da Escola Prática de Cavalaria, com o auxílio da fragata comandada por Seixas Louçã, pai de Francisco Louçã.
Em face da vitória no Terreiro do Paço, a coluna da EPC dividiu-se e enquanto o capitão Salgueiro Maia se dirigiu para o Largo do Carmo, o major Jaime Neves foi "conquistar" a Legião Portuguesa, na Penha de França.
Neste trajecto pelas ruas da Baixa, ofereceram alguns cravos aos soldados até que um deles o colocou no cano da G3 porque na farda era proibido e a mão livre segurava um cigarro. Alguns imitaram-no. Poucos.
No Largo do Carmo, a situação era difícil e não havia lugar para flores. Duas companhias da GNR, uma companhia da Polícia de Choque, os quatro blindados pesados de Cavalaria 7 e elementos da Polícia Militar ainda afectos ao governo cercavam o esquadrão da EPC. Por duas vezes Salgueiro Maia mandou disparar contra a fachada do quartel mas mesmo assim a GNR não se rendia e foi por um triz que o canhão da Panhard não desfez as portas do quartel, o que não aconteceu por terem aparecido dois negociadores conotados com o general Spínola.
A chegada do coluna de carros de combate proveniente do Regimento de Cavalaria de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura, aliviou o cerco a Salgueiro Maia e acabou definitivamente com a presença da GNR, Polícia de Choque e RC7 no Largo do Camões e no Chiado. Era o triunfo do Golpe de Estado.
Temos, portanto, soldados e cravos transformados em ícones do 25 de Abril. Mas falta alguém. Quem? As putas. Sim, as mulheres da vida apoiaram os militares nas horas críticas. Ofereceram-lhes comida, bebidas, tabaco e, acalmadas as tensões bélicas, levaram-nos para a cama, acarinharam-nos, uniram os corpos, excitaram outras emoções, descarregaram na carne as tensões do momento histórico. Tudo grátis. De gratidão. 
Da Revolução ficaram os cravos e as putas esfumaram-se no politicamente correcto da História.
Eu lembro-me delas e saúdo-as. Não gosto de cravos!
Mas o 25 de Abril começou e terminou no 25 de Abril. Logo pelas 19h00 o MRPP irrompeu pelos Restauradores com uma manifestação. Os partidos entravam em cena. Gulosos de poder e mordomias atiraram-se ao Estado e aos cofres dos dinheiros públicos de todos nós como gato a bofe.
Civis e, infelizmente, militares alistaram-se nas benesses dos partidos políticos e engalfinharam-se pelo poder e pelo dinheiro. A "revolução" trouxe a liberdade de saquear o erário público e daí nasceu uma clientela política oportunista e gananciosa que dura há 43 anos. Os primeiros a tratarem das suas vidas opulentas foram os deputados que pariram leis que lhes garantiam uma vida desafogada. Depois vieram outros ainda mais sedentos de regalias como, por exemplo, os funcionários do Banco de Portugal que usufruem de direitos pornográficos. A democracia quedou-se no papel e nas migrações pontuais às urnas de voto. Mas todos saqueiam por igual.
A corrupção atinge níveis que a frágil economia do país não suporta. As empresas públicas e os funcionários públicos empocham muito acima dos pobres privados que os suportam através de impostos rechonchudos. A Constituição exige igualdade. Ninguém a cumpre. Tal como no Triunfo dos Porcos, uns são mais iguais que outros. 
E os sucessivos governos, incluindo esta geringonça actual mantida por um presidente comediante, tem reduzido Portugal a uma imensa pocilga moral e material. 
Comemorar? Só se for "outro" 25 de Abril...