quarta-feira, 12 de julho de 2017

O Estado (caricato) da Nação


Ufff! Que alívio. O Estado da Nação é o Paraíso do Costa. Melhor. Sem Eva nem maçãs. Mas com muitas serpentes traiçoeiras. A pior delas indiana. Venenosa. A tragédia de Pedrogão Grande não foi bem assim. Um raio malicioso fez arder uma árvore. Logo por azar um eucalipto, o único vegetal que arde furiosamente contra o governo. Tudo funcionou na perfeição. As pessoas que morreram, infelizmente, é que não tinham nada de estar ali. O SIRESP, adquirido por um António Costa que não é este António Costa por mais de 500 milhões de euros foi brilhante nas comunicações, nem uma chamada se perdeu, nem uma comunicação se extraviou. No combate eficaz ao fogo estiveram em foco os helicópteros Kamov, comprados por um António Costa que não é este António Costa. Não fosse esta previsão genial do governo e tudo teria corrido mal. Assim não foi. A Protecção Civil, a GNR, os comandos distritais e demais organizações, algumas delas lideradas por um António Costa que não é este António Costa, evoluíram no terreno com mais ligação e eficácia que o Real Madrid nas finais das Ligas dos Campeões. E nem foi preciso entrar em campo, melhor no eucaliptal, o Cristiano Ronaldo das Finanças, mágico Centeno. Mas é justo acrescentar que as lágrimas em cascata da ministra Urbana ajudaram e muito a controlar o braseiro.
Logo a seguir, outro desafio gigantesco se ergueu na caminhada triunfal da geringonça. Resolvido numa penada pelo segurança de serviço do governo, o Marcelo. Uns putos malandrecos fintaram a poderosa vigilância dos paióis de Tancos e após dura peleja com as dezenas de sentinelas intratáveis e escapuliram-se com algo parecido com os estalinhos de carnaval. Alguns alarmistas, anti-Costa decerto, vieram alarmar a malta com um pesadelo que seriam armas terríveis surripiadas por terroristas implacáveis. Os generais dividiam-se em opiniões desencontradas. E o Costa, este mesmo, a bronzear-se numa praia espanhola, lia os jornais e ria-se a bandeiras despregadas. E tinha razão. Como sempre. O general sobrevivente da batalha dos generais veio sossegar tudo e todos às televisões sob o olhar de águia do "cidadão indiano na diáspora" afirmando que o material desaparecido estava fora de prazo e nem serve para os No Name Boys, a Juve Leo ou os Super Dragões animarem os estádios. Além disso, o ministro da Defesa afiançava que o buraco na vedação é para o gato do comandante entrar e sair para ir às gatas e a vigilância por video está desactivada para a soldadesca não perder tempo a ver o YouPorn...
Portanto, como diria o comentador Marcelo, tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O lava-mãos relatado do Costa



A Estrada Nacional 236-1, onde morreram 47 pessoas no fogo de Pedrógão Grande, só foi cortada depois de se encontrarem os cadáveres das vítimas. O governo divulgou esta quinta-feira as respostas às 25 às perguntas colocadas pelo CDS-PP sobre a tragédia de Pedrógão Grande. O documento enviado pelo gabinete do Primeiro Ministro ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares explica a atuação da GNR em relação ao corte da "estrada da morte". "Segundo a GNR, até ao momento em que se verificaram as mortes, não foi comunicada àquela Força de Segurança qualquer decisão operacional relativa à necessidade de encerramento da estrada N236-1, não tendo sido recebida qualquer informação qu alertasse para uma situação de risco, potencial ou efetivo, em circular pela via em causa.
Assim, de acordo com a GNR, a decisão de cortar a estrada N236-1 foi tomada apenas após a localização das vítimas mortais, por volta das 22h15 horas de dia 17 de junho". Antes, a GNR já tinha cortado o IC8 na zona. A força não sabe ainda esclarecer quantos condutores foram encaminhados para a EN 236-1.  "Segundo a GNR, importa confirmar se as viaturas que circulavam na EN236-1, no momento da tragédia, entraram na referida via provenientes do IC8 ou a partir de múltiplos caminhos e estradas de pequenas localidades existentes nas proximidades (Vila Facaia, Nodeirinho, Várzeas, Pobrais e Alagoa), tentando sair da zona afetada pelos incêndios". Mais certo é o trágico balanço das vítimas nesta estrada. Foram 47 as pessoas que ali perderam a vida, 30 delas num pequeno troço. "De acordo com as informações fornecidas pela GNR, o número de vítimas na EN236-1 foi de 33 (30 num pequeno troço da via e 3 alguns quilómetros adiante). Segundo a mesma fonte, as restantes 14 terão falecido em estradas e caminhos de acesso à EN236-1, para a qual se dirigiriam em fuga do incêndio", lê-se no relatório.
Entre as 21 respostas dadas aos centristas, o documento do Governo, que junta informações dos ministérios da Administração Interna, Defesa e Justiça. Às perguntas 23, 24 e 25, Costa responde com uma afirmação de confiança em Constança Urbano de Sousa: "O senhor Primeiro-Ministro reafirma manter a confiança política na senhora ministra da Administração Interna".

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/costa-admite-falhas-no-siresp-mas-segura-ministra-da-administracao-interna?ref=HP_Destaque

Este relatório do primeiro-ministro em férias é um insulto â memória das 64 vítimas mortais da tragédia. Expressa ainda uma desesperada tentativa de manter a imagem do primeiro-ministro "optimista irritante" caracterizada pelo sustentáculo deste governo de inutilidades, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.
Este manancial de desculpas engendrado por António Costa não passa de um branqueamento de um bando de histéricos e incompetentes que falharam em toda a linha na maior desgraça humana ocorrida no Portugal democrático.
Por mais gente que seja arregimentada nos órgãos de comunicação social como bóias de salvação desta geringonça motorizada pela flor do entulho da sucata socialista, os sobreviventes do inferno de Pedrógão Grande não se cansam e eximem de acusar as autoridades  de incapacidade operacional no terreno.
Mas o que conta para António Costa é a sobrevivência política. A dele e a dos amigos colocados em poleiros decisórios.
Peçam um relatório às vítimas. Então, sim, conhecer-se-ia a verdade!

terça-feira, 4 de julho de 2017

Instituições portuguesas não funcionam


As instituições portuguesas não funcionam e o País aproxima-se rápida e inexoravelmente do caos. E as tragédias sucedem-se. A começar por um Presidente da República que não exerce o cargo com a compostura que a missão exige. Pelo contrário, a hiper-actividade de Marcelo já cansa, a sua presença constante nas tvs a comentar tudo e todos enjoa e a sua clonagem ao primeiro-ministro e ao governo desgastam a paciência de quem é vítima de um executivo a trabalhar para os votos da função pública, com aumentos de rendimentos e diminuição de horas de trabalho, e a desprezar a iniciativa privada. Por outro lado, haver um comandante supremo das Forças Armadas que se livrou de envergar a sua farda, não se sabe bem porquê, não me soa muito bem. 
O governo do Costa está em banho-maria e o próprio a banhos de férias numa semana em que a política, tragédia e escândalos fervilham. O executivo está indelevelmente marcado pelos 64 mortos nos incêndios, 36 mortos nas praias e um roubo caricato de material de guerra de um paiol com buracos nas redes, a video-vigilância avariada e sem soldados de guarda às instalações.
A incompetência surge naturalmente quando os nomeados para os cargos de relevo são amigos do Costa ou indefectíveis partidários socialistas. A chorona ministra da administração-interna é um desses casos mais inacreditáveis de ascensão  ao poder por essas vias, o ministro da defesa não passa de uma personagem caricata, o líder da Educação permite que alunos com mais de quatro negativas passem para o ano seguinte, a dona da justiça é perfeitamente incapaz e quanto aos outros não passam de miseráveis nulidades. 
O país não está para abraços, está para ser remodelado com gente competente. Seja de que quadrante for. Repare-se neste exemplo de hipocrisia e oportunismo político. O Bloco de Esquerda "ardeu" com os incêndios e o Partido Comunista "desapareceu" com os roubos de Tancos. O PS está manco das suas muletas, refugiado, encolhido, à espera que a trovoada seca passe. E o Marcelo que vá distribuindo afectos por aí...


sábado, 1 de julho de 2017

Os soldadinhos de chumbo da Geringonça


Semanas depois de terem desaparecido dezenas de pistolas Glock, de 9 mm, dos depósitos de armas da PSP, surge um assalto bastante mais preocupante aos paióis de Tancos, tendo desaparecido material de guerra de assinalável importância, como lança-granadas (LGF) e respectivas munições, granadas de mão ofensivas, granadas de gás lacrimogéneo, munições de 9 mm (para pistolas tipo Glock ou pistolas-metralhadoras tipo Uzi), detonadores. rolos de arame (cordão detonante?). Curiosamente, ou talvez não, os assaltantes não levaram consigo granadas de mão defensivas (muito mais mortíferas que as ofensivas) nem munições de 7,62mm para espingardas automáticas do tipo G-3 ou AK 47. 
Espantou-me, como ex-militar e conhecedor do terreno, a falta de condições de segurança  actuais destes depósitos de material de guerra. Segundo consta, a vedação de arame tem buracos, o sistema de video-vigilância não funciona e a presença de militares de carne e osso resume-se a umas patrulhas efectuadas de tempos a tempos. Isto é o contrário a todas as regras de segurança e só pode ter passado à prática este esquema alguém perfeitamente incompetente e resguardado por uma cadeia de comando igualmente sem noção do que anda a fazer.
Mas não é nada que me surpreenda por aí além. Assisto de há anos a esta parte a uma degradação das nossas Forças Armadas e a ideia que infelizmente retenho é de que os nossos soldados estão a transformar-se em meros funcionários públicos e presentemente não passam de soldadinhos de chumbo da Geringonça abraçados por Marcelo, aquele que é por inerência do cargo o seu chefe máximo.
Custa-me dizê-lo, como ex-militar que fui, que o facilitismo e as "novas oportunidades" minam as Forças Armadas com a conivência das chefias, dos ministros da Defesa e do próprio Presidente da República, à excepção do general Ramalho Eanes. Hoje em dia, o pessoal anda ali a fazer um frete e a passar o tempo, a colocar fotos no Facebook e outras redes sociais com caras de maus e poses "rambolescas" quando nem sequer sabem marchar ou comportar-se numa parada. 
Salvo as raríssimas excepções dos Comandos, Rangers e Fuzileiros, os outros militares que desfilaram no 25 de Abril e no 10 de Junho iam desalinhados, sem convicção, mais se assemelhando a um bando do que a uma unidade militar. Simplesmente vergonhoso e deplorável mesmo quando assisti a uma mulher-soldado da FA a fazer continência com as pernas abertas...E ninguém passou uma valente "piçada" a esta gente.
No tempo em que estive em Santa Margarida, o serviço de guarda as paióis era feito 24 horas por dia por um pelotão (32 homens) fortemente armado, fazia-se um contacto rádio hora a hora e ainda passava uma ronda da Polícia Militar de tempos a tempos. O mesmo acontecia quando fazia o mesmo género de serviço nos paióis do Forte das Alpenas (Trafaria). 
Agora, no entanto, parece que os meninos e as meninas da tropa não podem apanhar calor, nem frio, nem chuva, nem vento, não  vão eles e elas constipar-se, coitadinhos. 
Ao longo dos anos, passou-se da geração da carne para canhão para as florzinhas de estufa. Assim, até a dignidade lhes roubam...


domingo, 25 de junho de 2017

Faltou um Marquês de Pombal em Pedrógão


Quando Lisboa foi arrasada pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, um padre jesuíta, Malagrida de seu nome, cirandava pelas ruínas clamando que a catástrofe era um castigo de Deus. O Marquês de Pombal perdeu a paciência com as homilias do homem, desterrou-o para Setúbal e mais tarde ardeu nas fogueiras da Inquisição para se calar de vez. 
Na tragédia de Pedrógão Grande quase todos os responsáveis políticos, desde o Presidente da República ao primeiro-ministro até às autoridades no terreno "condenaram" uma trovoada seca pelo inferno que ali se desencadeou, quais "malagridas" laicas a debitar esta versão nas televisões sem que um "marquês de Pombal" qualquer os desterrasse pelo menos para longe das pantalhas informativas. 
E no meio deste caos até prevaleceu a versão de que um "pj" tinha encontrado a árvore atingida pelo raio causador deste cenário de Dante. Incrível a intuição deste agente no meio de milhares de árvores consumidas pelas chamas e com o chão ainda a exalar temperaturas ardentes. Iniciava-se a lavagem e secagem de responsabilidades...
É nestas alturas que se conhecem as qualidades e os defeitos dos líderes. Ainda Lisboa não tinha tramado de tremer e já Sebastião José de Carvalho e Melo se erguia como um gigante dos escombros, ordenava que se enterrassem os mortos e cuidassem dos vivos, organizou os sobreviventes em bombeiros e coveiros improvisados, colocou equipas compostas por um juiz, um militar e um carrasco em vários pontos da cidade para julgarem e matarem os saqueadores em processos sumários, cercou Lisboa com regimentos para evitar uma fuga geral e chamou o engenheiro-chefe do reino, Manuel da Maia, o qual um mês após a calamidade, repito apenas um mês, apresentava um plano pormenorizado da reconstrução da baixa lisboeta, tarefa que começou de imediato após a remoção dos destroços. Tudo isto planeado e executado sem sistemas de comunicações inúteis como o SIRESP e outras (des)organizações como a Protecção Civil e restantes falhados no incêndio que ceifou a vida a 64 pessoas inocentes.
Mas todos os responsáveis políticos e não só que acorreram ao Comando Operacional no terreno não passaram de simples pigmeus choramingas e desorientados, que se abraçavam e derramavam lágrimas em vez de assumirem uma postura de firmeza, lucidez e competência, longe, muito longe do mérito de um Marquês de Pombal. 

Pretende-se agora um inquérito liderado por uma figura independente e de competência indiscutível. Pode ser que exista alguém com este perfil mas não me lembro de ninguém, a não ser do general Ramalho Eanes. 

Por mim a conclusão é simples e óbvia: todos os envolvidos em cargos políticos ou civis na tragédia já deviam ter pedido a demissão ou ser demitidos. As 64 vítimas exigem-no. A "estrada da morte" persegui-los-à para sempre. Eu não me esquecerei!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Basta de Marcelo, Costa, abraços e choros


Liga-se a televisão aparece o Marcelo e o Costa, abre-se os jornais lá estão o Marcelo e o Costa, sintonizam-se as vozes do Marcelo e do Costa, os comentadores nos órgãos de comunicação social incensam o Marcelo e o Costa, programas satíricos como o Eixo do Mal ou o Governo Sombra passam o lustro ao Marcelo e o Costa, no Europeu de Futebol lá estavam o Marcelo e o Costa, nos Jogos Olímpicos vislumbraram-se o Marcelo e o Costa, na final da Taça de Portugal não faltaram o Marcelo e o Costa, no 25 de Abril perfilavam-se o Marcelo e o Costa, o Papa em Fátima teve de gramar com o Marcelo e o Costa, no Dia de Portugal evidenciavam-se o Marcelo e o Costa, em dezenas de eventos nacionais e internacionais o Marcelo acompanha o Costa e o Costa faz companhia ao Marcelo.
Nesta tragédia ainda inacabada do incêndio trágico de Pedrógão Grande e arredores compareceram o Marcelo e o Costa. Trouxeram uma novidade além dos abraços: lágrimas nos olhos. Ambos a desculparem tudo e todos e a acusarem a Mãe Natureza, por via de raios de uma trovoada seca, quando se sabe que tudo falhou, desde as comunicações do famigerado sistema SIRESP adquirido por Costa, quando ministro de Sócrates, por 400 milhões de euros, até à (des)coordenação das entidades envolvidas num trágico desfecho de 64 vítimas mortais.
E prossegue esta digressão da dupla Marcelo e Costa, agora nos funerais dos tocados pelo infortúnio, como se estivessem livres da sua quota de responsabilidade no caso. Marcelo foi secretário-geral do PSD e seria interessante qual o seu programa no capítulo do ordenamento do território. Costa tem vivido desde sempre à custa do partido, do estado e de alguns governo. 
Fracamente já não se suporta esta geminação Marcelo-Costa em todas as suas vertentes, das festanças às tragédias. Mas vergonha não é faculdade que assista aos políticos. Especialmente agora que andam aos abraços e de lágrima no olho...

http://expresso.sapo.pt/politica/2017-06-21-El-Mundo-diz-que-gestao-dos-fogos-e-caos-absoluto-que-poe-em-causa-o-primeiro-ministro

domingo, 18 de junho de 2017

Há 62 mortos. Quem se demite?


Um incêndio de proporções dantescas atingiu as densas florestas da zona montanhosa de Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos vitimando 61 pessoas e destruindo dezenas de casas. Numa tarde de calor intenso e humidade nula, as chamas, segundo alguns especialistas, foram causadas por uma trovoada seca, com uma série de relâmpagos a iniciarem as ignições. 
Num golpe de vista absolutamente fenomenal,  o director nacional da Polícia Judiciária afirmou ter sido encontrada a árvore que originou a tragédia.
A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues. Extraordinário. Melhor que encontrar uma agulha num palheiro...
Um responsável camarário rebateu esta hipótese e considerou tratar-se de fogo criminoso mas as suas declarações foram rapidamente abafadas.
Uma jornalista da RTP, Andreia Novo, descreveu deste modo a sua experiência:
"Sinto necessidade de vos contar o que eu e o Rui Castro vimos, sentimos. Saímos às 2h de Gaia, chegamos às 4h a Pedrogão. Os acessos estavam todos cortados. Percorremos centenas de kms e não havia sinal de bombeiros. As pessoas estavam todas na rua. Todas. Só depois das 5h é que conseguimos andar por estradas que ainda não estavam interditas, mas com fogo por todos os lados. Conseguimos passar. Às 6h começamos a encontrar os primeiros carros incendiados. Uns atrás dos outros. Desfeitos. 6h30, já com luz do dia, descobrimos umas aldeias no meio do fumo que cega de tão denso. Começam a surgir os corpos. Não consigo descrever bem, a partir daqui, o que aconteceu. Uns atrás dos outros. Famílias inteiras no chão, carbonizadas, e não dentro dos carros como alguns jornalistas têm avançado. Casas completamente destruídas pelas chamas. "São imensos menina, mas não podemos apanhá-los, não temos autorização" disse-me um bombeiro quando lhe perguntei pelos corpos. Falei com moradores de duas aldeias com cerca de 80/100 habitantes que já não diziam coisa, com coisa. Só falavam nas pessoas desaparecidas. "Isto é o inferno na terra, meu amor" disse-me uma idosa em lágrimas. Certo é que os bombeiros nunca lá foram até agora. Muitos dos que morreram são locais, fugiam de carro quando se despistaram, explodiram, ou simplesmente sufocaram. Nunca vi nada assim. E assim, só nós RTP captamos isto."
Tenho a certeza que toda a gente foi apanhada com as calças na mão. Previam-se dias de calor anormal e ninguém tomou as devidas precauções. As entidades oficiais preferiram o conforto do ar condicionado ao desagradável patrulhamento no terreno. A lenta reacção no terreno foi, sem dúvida, a causa maior daquelas terríveis mortes. 
Paulo Fernandes, professor "florestal" na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, considera que um fogo com estas características "excede a capacidade de extinção dos meios no terreno". "Quando muito, pode tentar-se controlar a cauda e as frentes do incêndio". Mas o professor universitário acha que a Protecção Civil poderia ter feito mais, antes de as chamas chegarem. "Eram conhecidas as condições esperadas para esta região. A vigilância deveria ter sido reforçada e os meios accionados mais cedo. Conheço a estrada [a EN 236-1] onde aconteceu o incêndio. É uma estrada estreita, com muitas curvas e ladeada de florestas de eucalipto, que são mais perigosas porque propagam o fogo as grandes distâncias. Não conheço as circunstâncias, mas talvez a estrada devesse ter sido encerrada mais cedo".
Concordo com ele.
Foi deprimente ver nas televisões o Presidente da República abraçar tudo o que mexia junto ao centro de comando da Protecção Civil. Que saudades da confiança transmitia um presidente como o general Ramalho Eanes. O primeiro-ministro já nem se lembra que foi ele, como ministro de um governo anterior, adquiriu o sistema de transmissões SIRESP por 400 mil de euros e que neste caso falhou em toda a linha, além de estarem inoperacionais mais de metade da frota de helicópteros pesados Kamov por falta de manutenção, aparelhos também adquiridos num consulado socialista com a assinatura de Costa. Mas, neste caso como em outros, o "optimista irritante" tenta passar pelos intervalos da chuva... 
Já devia ter pedido a demissão mas é demasiado ganancioso pelo poder para o fazer...
Tudo o resto nesta geringonça é uma tralha socialista sem qualidade. A ministra da Administração Interna sabe tanto o que faz como uma dona de casa desesperada. Choramingou umas informações e nem sabia os nomes das localidades. O mesmo se aplica ao bando de inúteis da Justiça, Saúde, Educação, Cultura, Defesa, Economia, Finanças, etc. Ninguém demonstra um mínimo de qualidade nesta equipa parida no Largo do Rato.
Há 62 mortos a lamentar. Quem se demite?






domingo, 11 de junho de 2017

5 de Outubro de 1143


Mal se instalou no poder, a I República, parida  a ferros da Revolução de 5 de Outubro de 1910 reordenou os feriados de Portugal. Em vez de se preocuparem com assuntos mais prementes para um país  arruinado, tal como agora, os neo republicanos perseguiram os padres, assediaram  as freiras, transformaram os mosteiros em juntas de freguesia e repartições públicas com funcionários corruptos e laicizou os dias de "folga" suplementar. O arco do poder saído das bocas dos canhões do comissário Machado dos Santos, na Rotunda, ainda sem o Marquês de Pombal e adeptos do Benfica ou do Sporting a festejarem títulos nacionais, claques muito mais violentos que a própria revolta maçónica, deixou aos municípios a autonomia para escolherem no calendário uma data comemorativa para o pessoal lixar ainda mais o défice e as contas públicas. É curioso como nessa altura não se encontrava por cá o FMI mas sim funcionários das  finanças inglesas a controlarem (e receberem) o imposto sobre o tabaco, o que originava uma cortina de fumo nas reuniões ministeriais. Em  Lisboa, o António Costa da época carimbou o 10 de Junho como o Dia de Camões e lá foram os alfacinhas para a praia de Algés com aqueles bikinis de gola alta ou para o campo trincar uns pastéis de bacalhau com arroz de tomate. Ou de grelos. Sem a pavorosa perspectiva de andarem dias e dias com a calças na mão até lerparem, como actualmente se arrisca com os pepinos assassinos, que começaram por ser distribuídos pela ETA agrícola espanhola e agora parece ser obra e graça da Al Qaeda leguminosa infiltrada na agricultura europeia. 
O dia 10 de Junho  assinala a morte do poeta Luís de Camões em 1580, o sacana do gajo que deu cabo do toutiço a tanta malta que até gostava de estudar, mas que desistiu com a seca das "armas e dos barões assinalados". O filho da mãe, sem ofensa para a senhora, bem podia ter ido além da Taprobana e por lá ter arrumado os trapos com uma oriental com pachorra para o aturar. Mas não, o homem tinha o diabo no corpo e mesmo zarolho e quase a afogar-se ainda conseguiu salvar os malfadados rascunhos d' Os Lusíadas, uma bicha interminável  de estrofes em linguagem cifrada e mais indecifrável que o Acordo Ortográfico impingido  aos portugueses para salvar algumas editoras da falência. No entanto, o Portugal além-Lisboa  enão atribuiu qualquer significado especial a esta data e passou por ela como cão por vinha vindimada. Os tótós que têm estado a (des)governar e a governar-se à custa de Lisboa desconhecem certamente que a cidade  foi conquistada aos Mouros em 24 de Outubro de 1147 por um tal  D. Afonso Henriques, com a mãozinha marota  de cruzados normandos, ingleses, normandos, galeses, flamengos e germânicos. O 24 de Outubro, obviamente, é que deveria ser o feriado municipal de Lisboa e não o estapafúrdio 10 de Junho...para não falar do 13 do mesmo mês. Mas, enfim, quando são os ignorantes que ascendem aos cargos públicos o resultado só pode ser asneira. Persiste, contudo,  o mistério de que cabecinha pensadora teria saído o raio da ideia de 10 de Junho Dia de Portugal... A realidade nacional caminha, trôpega, sempre desfasada da realidade histórica. 
Anos depois, o marechal Gomes da Costa trotou num cavalo branco de Braga até Lisboa pelas SCUT do 28 de Maio para desaguar no Estado Novo. Mais uma vez, para variar, a mania de mexer nas datas também deu a volta ao miolo à cabeça do Presidente do Conselho (que não aceitava conselhos de ninguém...) nos intervalos de fazer contas para safar  o país do colapso financeiro e económico. O ditador, o autocrata, o génio (como queiram) promoveu o 10 de Junho a Dia de Portugal, de Camões e da Raça. Lisboa, entretanto, mudou o seu feriado municipal para 13 de Junho, continuando a ignorar liminarmente o dia histórico de 24 de Outubro de 1147 e o azar heróico do pobre do Martim Moniz, que ficou entalado na porta do Castelo de S. Jorge para os cruzados cristãos  entrarem sobre o seu cadáver e massacrarem calmamente os tetravôs de Bin Laden. Se a capital mandou às malvas o seu dia mais importante de sempre, Portugal fez exactamente o mesmo em relação à sua fundação e o reconhecimento pelo rei de Espanha, já sem paciência para nos aturar, como estado independente, em 5 de Outubro de 1143, divórcio consumado com a assinatura do Tratado de Zamora. 
Em qualquer país normal, o dia nacional de Portugal seria a 5 de Outubro, não pela implantação da República ou também por isso e todos ficavam satisfeitos, e não a 10 de Junho. Mas a normalidade cá pela terra não é atributo que se recomende. Que diabo, será o dia da morte de um poeta galdério sempre apaixonado pelas mulheres dos outros e que em vez de as papar em silêncio, como qualquer cavalheiro que se preze, vinha lamentar-se em sonetos que os amigos lhe punham os palitos em vez de lhes enfiar um murro nas trombas,  mais importante que o dia da Independência? 
A Islândia orgulha-se de erguer no centro da capital Reykjavic a estátua de Leif Eiricsson, o Vermelho, o primeiro europeu a chegar à América, 500 anos antes dos livros de História atribuírem esse feito ao mercenário Cristóvão Colombo. Nós contentamo-nos com o Largo do Camões e a estátua polvilhada de cagadelas de pombo e, voilá, eis o nosso herói nacional. 
Não há ninguém no Mundo que não conheça George Washington, o general que conduziu os Estados Unidos à independência, mas, salvo meia dúzia de eruditos, para lá de Badajoz se perguntarem quem é esse tal Luís de Camões respondem que é centro-campista do FC Porto, presidente do Benfica, o treinador do Sporting ou o novo secretário-geral do Partido Socialista. 
A III República, depois do 25 de Abril, também ainda não se deu ao trabalho de mudar a data do Dia de Portugal para o sítio certo: 5 de Outubro. Pior, tem sido o dia em que os contrabandistas são elevados (?) a comendadores, os políticos agraciados por levarem o País à bancarrota, os cineastas de filmes que ninguém vê nem entende medalhados com a grã-cruz disto ou daquilo, mais uns parasitas da sociedade ornamentados com uns penduricalhos, uma ofensa aos verdadeiros heróis civis e militares de Portugal. A fechar a tragicomédia desta data ainda se grama como sobremesa com discursos metafóricos, redondos e evasivos dos sucessivos PR's que têm pelo menos a vantagem de serem tão imperceptíveis aos portugueses como aos finlandeses, tailandeses ou aos agora tão em moda paquistaneses e indianos. Chinesices!
E assim lá continuamos cantando e rindo em cada 10 de Junho. Até quando?

terça-feira, 23 de maio de 2017

Andam a matar a Europa


Mais um atentado terrorista nesta sanha de quererem matar a Europa. Desta vez aconteceu em Inglaterra, Manchester, uma cidade manchada com o sangue de 22 inocentes que nunca mais assistirão a um nascer ou a um por-do-sol e ainda cerca de meia centena de feridos. Seguiu-se a narrativa do costume: muçulmano, de origem líbia, nacionalidade britânica. É isso, Os países europeus, com a doçura da democracia, do multiculturalismo, dos direitos humanos e outras fraquezas politicamente correctas, andam a permitir a morte da Europa, dos princípios e dos seus  valores, criando no seu seio seres abomináveis que apenas sabem conviver com a morte. A deles, que não se perde nada, e a de muitos inocentes, que se perde muito.
A Europa não consegue estancar esta matança e ainda não entendeu como lidar com os grupos provenientes de madrassas onde se professa o assassínio e o terror, não em longínquas terriolas desérticas da Península Arábica, mas, inexplicavelmente, em cidades cosmopolitas como Londres, Manchester, Paris, Bruxelas, Amesterdão, Estocolmo, etc. As autoridades desses países conhecem os lugares onde se fabricam os terroristas e inexplicavelmente permitem que os imãs continuem a instruir o jihadismo em autênticas universidades da morte. 
Digo e repito que os terroristas não são criminosos de delito comum nem merecem as benesses do estado de direito. São gente para abater e nada mais. 
Segundo as notícias, este "mohammed" estava referenciado pela polícia e, no entanto, movimentava-se a seu bel-prazer por esta Europa de portas escancaradas a toda a escória humana e onde se circula de Lisboa a Varsóvia sem qualquer controlo policial. Um paraíso, sem dúvida, para estes seres desprezíveis.
A população tem de começar a pedir contas aos respectivos governos por estes sucessivos massacres. É que, ao não tomarem medidas enérgicas contra esta praga assassina e recambiá-la para bem longe, estão a tornar-se cúmplices por omissão destas tragédias. Não basta ser #je suis isto ou aquilo, há que actuar com resultados práticos antes que seja tarde. 
Quem ainda duvidar dos objectivos desta gente que leia a história do Kosovo...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Os Salvadores da Pátria


Eis senão quando os salvadores da Pátria irrompem como cogumelos neste jardim de eucaliptos à beira-mar plantado. Assim como quem não quer a coisa, Bruxelas promete retirar Portugal da lista negra dos piratas de défice excessivo. Os números atingidos pela geringonça assim o exigem. O curioso neste caso é que ninguém sabe ao certo como Costa & Cª conseguiram a proeza. Sem qualquer reforma estrutural e sucessivas reposições de mordomias aos funcionários públicos, sem se descobrir petróleo no Beato ou existir uma invasão de empresas a investir por cá, desconfio que há muita despesa a ser varrida para debaixo dos tapetes, muitos doentes sem a assistência devida, escolas sem a vigilância ideal e a quase totalidade dos departamentos públicos sem papel (higiénico e não só), transportes sem manutenção, tribunais sem funcionários e segurança reduzida ao mínimo. Toda esta evolução, portanto, só poderá resultar dos trocos saídos dos bolsos das hordas de turistas que esgotam todos os espaços possíveis e imaginários para descansar o coirão, desde as sumptuosas suites do Ritz ao galinheiro da Dª Felismina de Alfama. 
Até quando está prosperidade se manterá, isso é outra conversa, apesar do reforço multimilionário devido à mudança de Madonna para Lisboa... 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ser "Comando" é arriscado


O Ministério Público que investiga a morte de dois instruendos ocorrida durante o Curso 127 de "Comandos" anda a divagar numa série de erros e pressente-se a sua orientação em tentar castigar aquela instituição militar como um "bando de homicidas". Em primeiro lugar, o MP começa logo por considerar o Exército como uma democracia onde se encontram presentes todos os direitos humanos. Não é. Mal da tropa se fosse um lugar onde as decisões se tomam por votação. Havia de ser bonito se em caso de acção uns votassem pelo combate e outros pela fuga.
Se em situações normais prevalece a hierarquia, num curso de "Comandos" os instruendos são sujeitos a "abusos de poder" e estão, como eu e muitos milhares de outros estiveram, na bizarra situação de "abaixo de cão". Quantas vezes na parada tinhamos de saudar militarmente os cães porque eles eram nossos superiores. Faz parte da componente psicológica do curso. Andei dezenas e dezenas de quilómetros com os instrutores a berrarem-me aos ouvidos "vais morrer, vais morrer" ou "a tua mãe é uma cabra" ou "a tua mulher (ou namorada) estão a esta hora a foder com outros". E então? Fechava os ouvidos e concentrava-me na caminhada e no esforço sobre-humano que tinha pela frente. 
Se um candidato a "comando" não aguenta um sopapo nas trombas ou um pontapé no cu não pode aspirar a concluir esta especialidade. Os "comandos" são tropas de assalto para resolver casos desesperados. Como se preparam estes homens se não com um treino duro, o mais próximo possível da realidade, independentemente do frio ou do calor, da neve ou da chuva.
Estes cursos são para voluntários que sabem ao que vão, inclusivamente são militares de outras especialidades e não civis desprevenidos. A morte é possível em qualquer altura destes cursos, desde uma queda do pórtico, do slide, do rappel, da vala, da escada escocesa, do muro, no campo de infiltração, no fogo real, enfim, entre tantos perigos os acidentes mais ou menos graves não são de excluir. A morte acompanha-nos do primeiro ao último minuto, mas não existe, como subentende o MP, homicidas paranóicos entre os instrutores. 
Quantas pessoas vão aos hospitais por se sentirem mal, são observadas e medicadas e morrem ao chegarem a casa. Inúmeras por ano. 
Eu sei o que custa perder um camarada em instrução. Acompanhei um furriel a uma DO para ser evacuado para Lisboa depois de ser atingido por um tiro de heli-canhão em Santa Margarida. Morreu e foi sepultado em Leiria. 
Nós choramos os nossos mortos mas a vida continua. E a instrução também. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Timo Makinen "voa" para a eternidade


Faleceu Timo Makinen, aos 79 anos, o primeiro "finlandês voador" do automobilismo mundial. Foi o pioneiro de uma longa linhagem de ilustres filhos da Finlândia cujos carros voavam nas provas de ralis e deixavam os espectadores em delírio. A foto acima publicada é uma prova cabal da coragem e da perícia desta nova classe de guerreiros das corridas. 
Numa altura em que os carros não dispunham das ajudas complementares computorizadas e mecânicas para facilitar a tarefa dos pilotos, só quem tinha unhas, talento e ousadia dispunha de coragem para levar estes carros "primitivos" mas lendários aos limites. 
A vitória mas lembrada de Timo Makinen aconteceu no célebre Monte Carlo, em 1965, ao volante de um Mini Cooper S que assombrou tudo e todos. No ano seguinte, o finlandês repetiria o triunfo à frente de outros três carros da mesma marca, mas, numa das mais vergonhosas decisões de sempre da organização, seriam todos eliminados por causa dos filamentos dos faróis de iodo. 
Três primeiros lugares consecutivos de Timo Makinen e do pequeno Cooper S no Rali dos 1000 Lagos (Finlândia), em 65, 66 e 67, e mais três primeiros lugares consecutivos no Rali do RAC (Inglaterra), num Ford Escort RS 1800, em 73,74 e 75, projectaram-no para a imortalidade. 
Que descanse em paz. 

domingo, 30 de abril de 2017

Marcelo arrasa Costa


Aconteceu no Colégio Moderno. Marcelo esteve presente para enaltecer a acção de Mário Soares na vida portuguesa e ajudar a manter vivo o mito urbano de que o fundador do PS é o "pai da democracia". Enfim, manias que a História, mais tarde, recolocará no seu devido lugar. O mais interessante, porém, perante aquela plateia de jovens, aconteceu quando Marcelo resolveu arrasar o primeiro-ministro António Costa e o seu "optimismo irritante". 
O Presidente da República entreabriu um pouco a cortina de silêncio das reuniões entre ele o chefe do governo e explicou aos jovens como contraria as notícias "cor-de-rosa", explanadas por António Costa e o seu constante sorriso de orelha a orelha nas suas feições hindús, e as confronta com o cenário "roxo" com que o inquilino de Belém vê essas "boas novas". 
Nesta palete de cores tão diferenciadas pelos dois detentores de cargos institucionais, Marcelo revela a teimosia atávica de Costa em repetir dez vezes "é rosa, é rosa..." para em resposta ouvir outras tantas vezes "é roxo, é roxo..."
Habituado a achincalhar, quantas vezes de forma ordinária a oposição no parlamento e até no próprio partido, António Costa ainda não percebeu que não passa de um chiquinho-esperto perante o instinto sibilino, melífluo mas letal de Marcelo Rebelo de Sousa.
A estocada final foi preparada com requintes de malvadez quando Marcelo se fez de esquecido e perguntou à plateia juvenil qual era a cor do Partido Socialista (!) e enterrou definitivamente o pobre e infeliz Costa com uma frase assassina, que lhe dirige amiúde para colocar uma lápide sobre o assunto...e não só: "Eu comento política há 50 anos!"
Aí, se ainda lhe restar algum laivo de lucidez política, Costa fica a saber que só será quem é enquanto Marcelo estiver disposto a aturá-lo. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

O 25 de Abril acabou no dia 25 de Abril



25 Abril de 1974. Chamam-lhe a Revolução dos Cravos. Sem sangue. Mentira. Morreram cinco pessoas na Rua António Maria Cardoso vitimadas por rajadas de metralhadora de agentes da PIDE. Irrita-me esta imprecisão histórica ou manipulação orquestrada com intuitos políticos. 
Houve cravos distribuídos por soldados? É verdade. Mas não como é propagandeado há décadas. Naquele dia ninguém comprava flores e as vendedoras deram-nas. A quem? A muitos soldados, alguns deles até se encontravam na rua em defesa do Estado Novo, como os militares do Regimento de Infantaria 1, Polícia Militar e Regimento de Cavalaria 7, ou seja, inimigos do Golpe de Estado.
No entanto, nas primeiras horas não houve cravos para ninguém. A situação tanto poderia pender para um lado como para o outro. Apenas começou a definir-se quando, no Terreiro do Paço, os carros pesados M-47 não abriram fogo às ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis e desfizeram as AML, da Escola Prática de Cavalaria, com o auxílio da fragata comandada por Seixas Louçã, pai de Francisco Louçã.
Em face da vitória no Terreiro do Paço, a coluna da EPC dividiu-se e enquanto o capitão Salgueiro Maia se dirigiu para o Largo do Carmo, o major Jaime Neves foi "conquistar" a Legião Portuguesa, na Penha de França.
Neste trajecto pelas ruas da Baixa, ofereceram alguns cravos aos soldados até que um deles o colocou no cano da G3 porque na farda era proibido e a mão livre segurava um cigarro. Alguns imitaram-no. Poucos.
No Largo do Carmo, a situação era difícil e não havia lugar para flores. Duas companhias da GNR, uma companhia da Polícia de Choque, os quatro blindados pesados de Cavalaria 7 e elementos da Polícia Militar ainda afectos ao governo cercavam o esquadrão da EPC. Por duas vezes Salgueiro Maia mandou disparar contra a fachada do quartel mas mesmo assim a GNR não se rendia e foi por um triz que o canhão da Panhard não desfez as portas do quartel, o que não aconteceu por terem aparecido dois negociadores conotados com o general Spínola.
A chegada do coluna de carros de combate proveniente do Regimento de Cavalaria de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura, aliviou o cerco a Salgueiro Maia e acabou definitivamente com a presença da GNR, Polícia de Choque e RC7 no Largo do Camões e no Chiado. Era o triunfo do Golpe de Estado.
Temos, portanto, soldados e cravos transformados em ícones do 25 de Abril. Mas falta alguém. Quem? As putas. Sim, as mulheres da vida apoiaram os militares nas horas críticas. Ofereceram-lhes comida, bebidas, tabaco e, acalmadas as tensões bélicas, levaram-nos para a cama, acarinharam-nos, uniram os corpos, excitaram outras emoções, descarregaram na carne as tensões do momento histórico. Tudo grátis. De gratidão. 
Da Revolução ficaram os cravos e as putas esfumaram-se no politicamente correcto da História.
Eu lembro-me delas e saúdo-as. Não gosto de cravos!
Mas o 25 de Abril começou e terminou no 25 de Abril. Logo pelas 19h00 o MRPP irrompeu pelos Restauradores com uma manifestação. Os partidos entravam em cena. Gulosos de poder e mordomias atiraram-se ao Estado e aos cofres dos dinheiros públicos de todos nós como gato a bofe.
Civis e, infelizmente, militares alistaram-se nas benesses dos partidos políticos e engalfinharam-se pelo poder e pelo dinheiro. A "revolução" trouxe a liberdade de saquear o erário público e daí nasceu uma clientela política oportunista e gananciosa que dura há 43 anos. Os primeiros a tratarem das suas vidas opulentas foram os deputados que pariram leis que lhes garantiam uma vida desafogada. Depois vieram outros ainda mais sedentos de regalias como, por exemplo, os funcionários do Banco de Portugal que usufruem de direitos pornográficos. A democracia quedou-se no papel e nas migrações pontuais às urnas de voto. Mas todos saqueiam por igual.
A corrupção atinge níveis que a frágil economia do país não suporta. As empresas públicas e os funcionários públicos empocham muito acima dos pobres privados que os suportam através de impostos rechonchudos. A Constituição exige igualdade. Ninguém a cumpre. Tal como no Triunfo dos Porcos, uns são mais iguais que outros. 
E os sucessivos governos, incluindo esta geringonça actual mantida por um presidente comediante, tem reduzido Portugal a uma imensa pocilga moral e material. 
Comemorar? Só se for "outro" 25 de Abril...

domingo, 23 de abril de 2017

Os franceses de Hitler


A França foi hoje às urnas para escolher os dois candidatos que disputarão numa segunda volta a presidencia da República. São onze candidatos, uma, Marine Le Pen, que todo o mundo conhece e mais dez que ninguém conhece de lado algum. Os franceses são um povo esquisito. Os seus antepassados, os gauleses, foram massacrados pelo centurião e mais tarde imperador de Roma, Júlio César, em Alésia, uma batalha de que eles nem querem ouvir falar. Séculos depois, em Poitiers, Carlos Martel travou o avanço muçulmano na Europa, depois dos mouros já ocuparem a quase totalidade da Península Ibérica. Na altura, ele foi considerado um herói, hoje seria acusado de xenofobia e racismo pela malta dos partidos que vivem à custa do Estado. 
Há duzentos e tal anos, a tão aclamada Revolução Francesa, da Liberdade, Fraternidade e Igualdade não aplicou estas premissas aos muitos milhares de cidadãos que perderam a cabeça na guilhotina e ainda pariu uma dos maiores assassinos da Humanidade, um tal Napoleão Bonaparte que destruiu grande parte da Europa, incluindo Portugal -- a maçonaria não permite que seja publicada nos livros de história a calamidade que os jacobinos tricolores causaram no nosso país. 
Nos últimos cento e tal anos, os franceses foram esmagados por tres vezes pelos alemães e só mantiveram a integridade territorial graças à intervenção de múltiplos países de todo o mundo que verteram o sangue em solo gaules não por simpatia pelos nativos mas apenas por questões políticas.
Na II Guerra Mundial é sabido que a França teve um governo colaboracionista dos nazis com sede em Vichy e com o general Pétain como presidente. Há, no entanto, pormenores obscuros que mal saem a público. E nada dignificantes. 
No estertor da Batalha de Berlim, com as tropas soviéticas a avançarem casa a casa, rua a rua em direcção ao bunker onde se acolhia Hitler e os resquícios da Alemanha Nazi, quem defendia o ditador alemão do destino que se afigurava inevitável eram soldados franceses. Isso mesmo. Por inacreditável que seja, quem travou o mais possível a onda militar soviética do marechal Jukov eram franceses pertencentes à Divisão SS Charlemagne do hauptsturmfuhrer Henri Joseph Fenet, um herói condecorado com a Cruz de Ferro.
A França tem sido assim mesmo. Há muitas luzes e sombras na sua História.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A mentira dos afectos


A venda que não é venda do Novo Banco por uma mão cheia de nada é uma das imagens mais pungentes do Portugal social-comunista actual. Esta "borla", que custou e custará aos contribuintes indígenas milhares de milhões de euros, demonstra o lamaçal económico e financeiro em que esta política de mentiras apoiada por falsidades afunda o país, apesar de a propaganda oficial infestar tudo e todos com simpáticos números deturpados e irrealistas. 
No consulado da geringonça não existe qualquer défice de 2,1%. É uma artimanha congeminada com receitas extraordinárias que nem sequer entraram nos cofres do Estado, pagamentos adiados que colocam em perigo actividades básicas e essenciais como a saúde e negociatas obscuras com cúmplices desonestos de Bruxelas para vários itens não entrarem nas contas públicas. 
Mas não é só a catástrofe do Novo Banco que assombra a estabilidade moral e estrutural desta sociedade adormecida por uns míseros euros revertidos para o bolso dos funcionários públicos e logo sonegados por taxas e taxinhas para manter uma política socialista de miséria à vista quando, enfim, a realidade brutal despertar os walking deads que por aí pululam. Há que contar ainda com as diatribes vergonhosas da Caixa Geral de Depósitos, a confusão patronal da TAP, as engenhocas para esconder a realidade do Montepio e muitissimos outros casos em que se vendeu a alma a diabo para que um ganancioso judas da política alcançasse o poder a qualquer custo.
A esperança da inversão deste caos fina-se, no entanto, quando o guardião do regime acolhe afectuosamente esta mentira descarada da actualidade nacional. Assim não há nada a fazer. Ou haverá?

quarta-feira, 22 de março de 2017

Euros, copos e mulheres

O presidente do Eurogrupo, o holandes Jeroen Dijsselbloem, afirmou que os países do sul da Europa gastam o dinheiro que lhes é emprestado pela Europa em copos e mulheres. A acusação ou a observação do calvinista e socialista dos Países Baixos despoletou uma onda de indignação nos políticos portugueses, com o primeiro-ministro António Costa a classificar as palavras do seu companheiro ideológico de "xenófobas, sexistas e racistas". O costume, agora qualquer expressão fora do politicamente correcto é imediatamente catalogada com os estereótipo dos guardiões da moralidade.
Acho normal que um fornecedor de milhares de milhões de euros queira saber como o receptor dessas fortunas gasta o dinheiro que lhe é adiantada, seja em negócios entre estados ou entre particulares.
Esta postura de virgem ofendida de António Costa é tão descabelada como cínica. Sendo um político que sempre viveu à sombra do Estado, ou seja à custa dos impostos dos contribuintes e também dos fundos e empréstimos de Bruxelas, o actual primeiro-ministro sabe como ninguém por onde se escoam milhares de milhões de euros.
O "assassino político" de António José Seguro esquece-se ou quer-nos fazer esquecer que foi o nº 2 de José Sócrates e, como tal, detentor de muitos "segredos de Estado" que conduziram o país para o abismo da "troika". No entretanto vai-se descobrindo a escandalosa situação dos bancos e de muitas das maiores empresas portuguesas, agora definhadas pelas negociatas  investigadas pelas autoridades.
Há 40 anos que Portugal é um antro de corrupção e favores públicos e políticos e sabe-se como os dinheiros da Europa foram esbanjados numa percentagem significativa em bares de alterne e "importação" maciça de brasileiras e ucranianas para entreter os galifões das aldeias mais reconditas do país. 
Ainda se lembram da revolta das mulheres de Bragança?

domingo, 12 de março de 2017

O golpe de 11 de Março de 1975


O general António de Spínola e um grupo de oficiais de Direita tentou inverter no dia 11 de Março de 1975 o rumo político, social e militar do golpe de Estado ocorrido no dia 25 de Abril de 1974. Registaram-se confrontos entre unidades em Lisboa, o país entrou em ebulição e esteve à beira da guerra civil, mas, felizmente o bom-senso prevaleceu e as armas calaram-se.
No entanto, o país mudou radicalmente a partir dessa data. Spínola fugiu para Espanha com o seu estado-maior, os oficiais de extrema-esquerda ascenderam aos postos-chave do poder, o PCP incentivou as nacionalizações e o assalto às terras e às empresas, iniciando-se o período que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975.
A História pode repetir-se, ou não, mas, actualmente, sem armas nem tiros, existe um cheirinho a PREC com esta Geringonça social-comunista do António Costa, amparado por Marcelo, Jerónimo e Catarina. Até quando se verá e até onde também. Os indícios são preocupantes e não auguram tranquilidade num futuro mais ou menos próximo. Veremos.

Encontrava-me em Lamego quando se desencadeou o golpe militar do 11 de Março de 1975. Era aproximadamente meio-dia e fazíamos exercícios de fogo real na Serra das Meadas. O ambiente de rara beleza natural acentuado pelo manto de neve estremecia com os disparos secos das G-3, o matraquear das HK-21, MG-42, Bren, Dreise e outras máquinas de matar de cadência rápida, intercalados com as explosões  imponentes dos morteiros 60 e 81.  Um jipe chegou em grande velocidade pelo caminho de terra. O alferes trazia uma mensagem urgente (relâmpago) para o oficial que se encontrava a comandar os grupos de Rangers que afinavam a perícia com as armas. O tenente leu a mensagem, chamou os oficiais e sargentos e conferenciaram. Os rostos fechados não auguravam boas notícias. 
O material bélico foi recolhido rapidamente para as Berliet e os Unimog e em menos de um fósforo iamos a caminho do Centro de Instrução de Operações Especiais. 
Os Rangers estavam sempre preparados para qualquer eventualidade com um grau de prontidão mais rápido que a própria sombra. Chegados ao quartel, depará-mo-nos com uma actividade ainda mais frenética que o normal. Montavam-se anti-aéreas quádruplas Breda, armadilhava-se locais estratégicos, espalhavam-se bidões de combustível pela parada. O pessoal estava todo armado e municiado até aos dentes. 
O oficial-de-dia, um tenente que sobrevivera milagrosamente no Ultramar à explosão de minas sob a sua Berliet por duas vezes, não teve papas na língua para informar todo o pessoal: 
-- Camaradas, a Força Aérea revoltou-se e anda a bombardear unidades em Lisboa. Não sei quem está a favor ou contra quem, mas aqui a questão é simples. Qualquer filho da puta que se atreva a aproximar do quartel é abatido! Está entendido ? A gente está com a revolução do 25 de Abril mas o nosso quartel é sagrado. Aqui ninguém mete as patas. Destroçar e cada um para o seu posto de combate.

O "filme" dos acontecimentos: 

[Elementos ligados ao movimento, incluindo António de Spínola. Reuniram-se em casa do major Martins Rodrigues.

8:00 – O coronel Moura dos Santos, comandante da Base, perante oficiais e sargentos, fez um briefing explicando os objectivos políticos, alvos a atingir e meios a utilizar. Os majores Mira Godinho e Neto Portugal e o capitão Brogueira reuniram com os comandantes e pilotos, distribuindo as missões que a cada uma cabia.
8.30 – Os oficiais, sargentos e praças da Base Aérea nº 3 foram informados de que a instrução normal do princípio da manhã fora cancelada. Perto, no regimento de Caçadores pára-quedistas, o coronel Rafael Durão reuniu os oficiais para lhes explicar a operação, dizendo ter recebido ordens do CEMFA (Chefe de Estado Maior da Força Aérea), o que não era verdade

9:00 – Em Tancos, entrou em cena o general Spínola que, no seu estilo grandiloquente, falou em nome da «pureza do processo de 25 de Abril», dizendo que para evitar «a prostituição das Forças Armadas», era preciso dizer “basta!” à escalada comunista. Enquanto o general perorava, na pista, aviões T-6, helicópteros e helicanhões eram abastecidos e municiados.

9:40 – Na Base Aérea nº 6 (Montijo) , o coronel Moura de Carvalho, comandante da base, colocou em estado de alerta todos os meios aéreos.
10.30 – O major Casanova Ferreira, comandante distrital da PSP de Lisboa, deu conhecimento do golpe a alguns oficiais daquela corporação.
10:45 – De Tancos, descolaram os seguintes aviões: dois T-6 armados com metralhadoras e ninhos de foguetes anti-pessoal, pilotados pelo major Neto Portugal e segundo-sargento Moreira, tendo como alvos, além do R. A. L. 1, as antenas da R. T. P. e Forte do Alto do Duque; dez 10 Allouette III, transportando um grupo de 40 pára-quedistas. Dois dos helicópteros estavam armados com canhão, tendo como missão o bombardeamento do R.A.L.1. Eram pilotados pelos major Zuquete e major Mira Godinho, aos canhões estavam os alferes Oliveira e primeiro-cabo Carapeta. Na operação inseria-se o lançamento sobre Lisboa de panfletos, missão que foi executada por dois dos heli-transportadores, pilotados pelos capitão Oliveira e tenente Jacinto. Os restantes heli-transportadores eram pilotados pelos alferes Chinita, alferes Afonso, alferes Mendonça, segundo-sargento Ladeira, segundo-sargento Souto e furriel Emaúz; três Noratlas com 120 pára-quedistas destinados a cercar o R.A.L.1.- dois T-6 desarmados, com missão de intimidação. Eram pilotados pelo capitão Faria e alferes Melo, ambos da B.A.7 e em diligência na B.A.3.
11:00 – O comandante da B.A.5 (Monte Real) o coronel Naia Velhinho, recebida uma indicação vinda de Lisboa por via normal, colocou a base em estado de prevenção rigorosa.
11:15 – A B.A.6 (Montijo) entrou também em prevenção rigorosa.
11:30 — Todas as Unidades da Força Aérea passaram a prevenção rigorosa. A esta hora chegaram à B.A.5, num Aviocar vindo de Tancos, o coronel Orlando Amaral e o tenente-coronel Quintanilha. Recebidos pelo comandante da Base, e na presença dos majores Simões e Ayala, enunciaram os tópicos da operação. Invocando o general Spínola, pediram a Velhinho que enviasse aviões F-86F para fazer passagens baixas de intimidação sobre o RAL1, a Avenida da Liberdade e o quartel-general do COPCON. Desconfiado, o comandante telefonou CEMFA, não obtendo resposta conclusiva. Entretanto o major Simões fez um briefing com os pilotos da esquadra dos F-86F, repetindo o que escutara no gabinete do comandante da base. Alguns oficiais manifestaram-se imediata e abertamente contra, recusando-se a aderir àquilo que, desde logo, configurava um golpe de direita.
11:45 — Chegaram à B.A.3, de helicóptero, o brigadeiro Lemos Ferreira e o tenente-coronel Sacramento Marques, delegados do C.E.M.F.A. e C.E.M.E., procurando esclarecer a situação.
11:45,/11:50 – O RAL.1 começou a ser atacado pelos T6 da Base Aérea nº 3, sendo atingidas as casernas dos soldados e os principais edifícios do aquartelamento. Morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís e houve 15 feridos e muitos estragos nas instalações da unidade. Neste, ataque foram consumidas 220 munições de metralhadoras calibre 7,7mm e 99 foguetes Sneb 37mm anti-pessoal dos T-6 e 318 munições de MG-151 de 20mm dos helicanhões.
11:50 – Na base do Montijo aterraram dois helicópteros Alouette III, estando um armado. O héli desarmado aterrou numa das ruas de acesso à placa, tendo deixado um pára-quedista ferido e cujo piloto, o alferes Chinita, também ferido, viria a ser recuperado pelo heli-canhão uns metros mais à frente.
12:00 – Tropas pára-quedistas, do Regimento de Pára-quedistas de Tancos, sob o comando do major Mensurado cercaram o RAL 1. À mesma hora o COPCON iniciara a movimentação para neutralizar o golpe, ocupando o Aeroporto e encerrando-o ao tráfego civil No Quartel do Carmo, oficiais da G.N.R. no activo e outros afastados do serviço, comandados pelo major Freire Damião, prenderam o comandante-geral e outros oficiais fiéis ao MFA.

12:05 – As forças do RAL 1, comandadas pelo capitão Diniz de Almeida, tomaram posições de combate e estabeleceram um perímetro de segurança, ocupando prédios em frente do quartel.
12:20 – Da Base de Tancos descolaram três helicópteros Allouette, com 12 elementos para sabotar as antenas do Rádio Clube Português, em Porto Alto. Um deles estava armado com canhão, sendo pilotado pelo segundo-sargento Leitão, tendo ao canhão o segundo-sargento Bernardo de Sousa Holstein. Os outros dois eram pilotados pelo alferes Laurent e segundo-sargento Serra. A esta hora, da Base do Montijo descolaram cinco helicópteros com destino a Tancos tendo um deles levado o pára-quedista ferido ao Hospital da Força Aérea no Lumiar e juntando-se aos outros na Chamusca.
12.45 – No exterior do RAL 1 ocorreu o diálogo entre o capitão Diniz de Almeida e o capitão pára-quedista Sebastião Martins gravado pelas câmaras da RTP: “Diniz de Almeida: – porque é que o camarada não vem comigo ao COPCON? Reconhece ou não a autoridade do COPCON? o General Carlos Fabião, o Chefe do Estado Maior do Exército? Os nossos chefes deram-nos ordens contrárias…A si de atacar…a mim de me defender…Porque não deixamos que eles discutam o assunto? Sebastião Martins: – As Forças Armadas não estão consigo. Diniz de Almeida: – Se assim for, não terei a mínima dúvida em me render à maioria. Mas, que eu saiba, o Exército está connosco, a Marinha está connosco, só vocês é que não. Sebastião Martins: – Vamos ver. Vamos então esperar que os nossos chefes decidam.” Os dois comandantes, Coronel Mourisca do RAL 1 e Major Mensurado dos pára-quedistas deslocam-se ao Estado Maior da Força Aérea para esclarecer a situação e tentar um acordo]
Com o Centro de Instrução de Operações Especiais já preparado para "receber" quem quer que fosse com o rótulo de "IN" (inimigo), organizámos a segurança activa fora do perímetro do quartel, ocupando pontos estratégico em redor da cidade com pequenos grupos emboscados e a perspectiva de ir ao aeródromo de Vila Real rebentar com aquilo tudo. 
Com a fuga do general António Spínola e dos cúmplices do golpe para Espanha o objectivo da pista de Vila Real deixou de ser um objectivo concreto mas tomámos todas as estradas em redor de Lamego durante dias a fio. 
Felizmente, apesar da morte do soldado Joaquim Luís e de vários feridos no bombardeamento do Regimento de Artilharia, em Lisboa, o bom-senso prevaleceu e evitou-se por um triz uma sangrenta guerra civil. 

Já lá vão 42 anos. 

terça-feira, 7 de março de 2017

O PREC 2017


O PREC regressou a Portugal. A golpada do Costa nas Legislativas de Outubro de 2015 foi a génese do regresso do País ao Verão Quente de 1975. Este, no entanto, é pior. Mais manhoso e intrusivo. Enquanto no século passado o PREC se circunscreveu apenas à região de Lisboa e ao Alentejo, resistindo todas as outras regiões aos avanços da febre vermelha de Vasco Gonçalves e dos capangas militares do COPCON com especial relevância para a "fronteira" de Rio Maior e da sua célebre moca, este PREC 2017 deixa a população enebriada, adormecida, aparvalhada, inócua, conduzida mansamente pela linha social comunista, marista-leninista, trotskysta, maoísta, estalinista da extrema-esquerda do PCP e do Bloco de Esquerda, dos quais Costa é apenas um simples porta-voz e Marcelo um mero publicitário deste "status" politicamente vermelhusco.
Em 1975, encontrava-me a cumprir serviço militar e a minha unidade era disciplinada, respeitadora da liberdade e contra toda e qualquer forma de autoritarismos de esquerda ou de direita. Fomos nós e muitos outros camaradas de outros regimentos que evitaram o deslizamento de Portugal pela ravina de uma Cuba europeia abaixo. Mas também milhares de populares lutaram nas ruas das aldeias, vilas e cidades com todos os meios ao seu alcance para que a perfídia comunista não se instalasse ou pelo menos que não avançasse inexoravelmente. Ganhámos no 25 de Novembro de 1975.
Se a tropa de choque do PREC 1975 eram os operários e camponeses, a quem prometiam terras e fábricas alheias, a tropa de choque de 2017 são os funcionários públicos a quem diminuem o tempo de trabalho e aumentam os rendimentos sem que a economia minguada do país seja suficiente para suportar semelhantes mordomias.
Os sinais são preocupantes. A trapalhada da Caixa Geral dos Depósitos evidencia a vontade da nomenclatura de Marcelo + Costa + Jerónimo + Catarina resolverem o que é público em privado, a Assembleia da República é um couto do abominável Ferro Rodrigues, os caloteiros dos dinheiros da sociedade são ocultados atrás de cenários obscuros, a banca está desvalida, a produção de mais-valias para exportação é mínima, uma reunião num instituto com a presença de Jaime Nogueira Pinto é cancelada por pressão de alunos com foices e martelos intelectuais, um livro de José António Saraiva é mandado retirar do mercado por um Tribunal da Relação por via de uma antiga namorada de um antigo primeiro-ministro cujas fotos eróticas davam picas às paredes, a propaganda ao regime é insuportável na RTP, SIC, TVI, RDP, TSF, DN, JN, Expresso, um vómito de loas a uma geringonça destravada rumo ao autoritarismo. O ambiente tresanda a propaganda feita umas vezes aos berros outras vezes aos abraços.
Chega!