quinta-feira, 22 de março de 2018

Um subsídio de alimentação de 10 cêntimos

O governo da Geringonça do Costa publicita números fantásticos no desemprego e na economia. Verdadeiros? Falsos? Eu desconfio muito dessa afortunada contabilidade porque não se descobriu petróleo, ouro ou diamantes e não vejo por aí florescer fábricas produtoras de mais-valias. 
Nesta riqueza mais ou menos virtual não deixa de ser escandaloso um contrato de trabalho registado este ano incluir um subsídio de alimentação no valor de...10 cêntimos. Isso mesmo, 10 cêntimos. Dará para um papo-seco. Isto pode ser considerado emprego? É com estes valores miseráveis que se apregoa uma descida no desemprego ou será que as pessoas redudizas à condição de escravatura contratual já desistiram, na sua maioria, de procurar sustento nos centros de emprego.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Os canalhas do Costa abraçados por Marcelo

Está mais que provado que o governo de canalhas do Costa, o refugo trágido do bando do Sócrates, conduz o país de tragédia em tragédia com um rasto de mortes por negligência, protegidos pelos abraços do comediante Marcelo. A troco de um punhado de euros de reversões, o povo anda anestesiado com a propaganda e nem reage às nocivas consequências das cativações para equilibrar contas de um país sem rumo, sem futuro, sem estratégia. São as mortes nos incèndios, nos hospitais, nas praias, nas estradas que aumentaram exponencialmente devido à política da geringonça mortal que infecta o país como uma bactéria mortífera.
Que se investiguem as negociatas do Costa, enterrado até ao pescoço em negociatas como os helicópteros Kamov que não voam ou do SIRESP que falha em todas as tragédias, o que, para cúmulo das barbaridades, está previsto em cláusulas contratuais.
Toda esta reles gente deveria estar a ser julgada e posteriormente condenada por homicídio por negligência. Investigue-se!

https://observador.pt/2018/03/21/incendios-governo-recusou-sete-pedidos-de-reforco-de-meios/






quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O perigo é das armas ou das pessoas?

Um estudante americano, Nikolas Cruz, de 19 anos, assassinou 17 estudantes na escola secundária Marjory Stoneman, no estado da Florida, depois de disparar indiscriminadamente sobre os alunos, professores e o pessoal auxiliar do estabelecimento de ensino. Este caso coloca, mais uma vez, no topo da actualidade a (relativa) facilidade com que se adquirem armas nos Estados Unidos. A questão coloca-se desde a fundação do país, onde a 2ª emenda da constituição, aprovada em 15 de Dezembro de 1791, permite â população, individualmente ou em milícias de defesa, ter o direito a possuitr armas de fogo ou outras. 
Nikolas Cruz armou-se de uma espingarda de assalto Armalite AR-15 e, sem que se saibam os motivos concretos, iniciou mais uma matança para os anais da história americana. As lojas de vendas deste tipo de armamento "travam" as espingardas de modo a que não possam fazer rajadas de mais de 3 tiros seguidos, mas os compradores geralmente "destravam-nas" para despejarem um carregadores de 20-30 muniçóes de calibre 5,56mm de uma só vez, o que as torna substancialmente mais mortíferas. 
A National Rifle é um lóbi extremamente poderoso que se opõe a qualquer restrição e, deste modo, o congresso nunca reviu a 2ª emenda da constituição, apesar dos protestos, não organizados, de significativa parte da população. O presidente Obama, tentou, sem grande empenho diga-se de passagem, alterar este "status" mas sem qualquer resultado. Já o presidente Donald Trump, como todos os outros anteriores a Obama, fossem eles democratas ou republicanos, defendem a tradição do uso de armas, sendo figuras proeminentes da defesa pessoal os actores Charlton Heston e Clint Eastwood e, obviamente, os fabricantes de armas. 
Esta celeuma relativa ao porte de arma também deve ter em conta a especificidade da fundação e consolidação dos Estados Unidos, desde a Guerra da Independència com os ingleses, as lutas com os índios e a vida selvagem, além de imensos territórios  (o Texas é do tamanho da França) sem lei, onde a autoridade era delegada pelos cidadãos a indivíduos de passado mais ou menos duvidoso como Wyatt Earp, Bat Masterson, Wild Bill Hickok e milhares de outros que "policiaram" aqueles intermináveis espaços. 
A posse de armas entranhou-se no espírito norte-americano e o seu direito continua inalienável na grande maioria da sociedade. Há, no entanto, uma questão que gostaria de abordar. A culpa de todo este cenário sanguinário é dos homens ou das armas? Repare-se neste pequeno pormenor. Segundo as estatísticas ocorrem no Brasil, onde a venda de armas não é livre, 50 mil homicídios por ano, enquanto nos Estados Unidos, com todas estas facilidades de aquisição, os homicídios não ultrapassam os 15 mil anuais. Em Portugal a questáo das armas também não é muito tranquilizadora. Entre caçadeiras, pistolas, espingardas e metralhadoras, andarão pelos dois milhões o número de exemplares, entre os licenciados para a caça, legalizados para uso pessoal e um sem-número de clandestinas, traficadas, roubadas e desviadas, entre elas os muitos milhares que vieram furtivamente das ex-colónias, após o 25 de Abril e as sonegadas dos quartéis, nos tempos do PREC de 75 e distribuídas por partidos políticos e organizações sindicais ou empunhadas por grupos terroristas.
A questão essencial, quanto a mim, não são as armas em si mas quem as possui. Um desequilibrado mental armado é obviamente um perigo para a sociedade. Mas quantas vezes alguém que se nos afigura calmo e sereno não descompensa de um momento para o outro e desata a disparar objectivamente ou à toa. Conheço alguns casos deste e bem mediáticos. O perigo é das armas ou das pessoas? Eu aposto, infelizmente, nas pessoas... 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Portugal desgraçado finge ser feliz

"Mas quem lhe disse que eu sou deste ou daquele partido, não posso ter opinião própria e ideias minhas independentes das liturgias partidárias?" Já gramei com Salazar, Marcello Caetano, com a Guerra do Ultramar, com Mário Soares, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Francisco Balsemão, Mota Pinto, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António Costa e todos eles, sem, excepção, têm sido uns escroques que enriqueceram à custa da política e deixaram o país cada vez mais pobre, atrasado, inculto, mais dependente de apoios do Estado, sem futuro, sem estratégia, falido, endividado, sem estruturas e cada vez mais longe da Europa e de mão estendida às esmolas da União Europeia. Nunca morreu tanta gente em incêndios, nas praias, nos hospitais onde os doentes (velhos e novos) são mal alimentados, mal tratados e abandonados em condições dramáticas em macas escondidas nos cantos ou aglomeradas em corredores.
Não há qualquer democracia em Portugal, há tolerância em deixar as pessoas votar de quatro em quatro anos. Depois acabou-se a democracia. Existem 230 macacos de imitação no Parlamento que cuidam dos seus próprios interesses e uns presidentes da República, à excepção do general Ramalho Eanes,  coniventes com esta desgraça geral. Os tribunais são corruptos, as forças de segurança estáo votadas ao abandono, os agentes suicidam-se dentro dos próprios carros de serviço, o tráfico de influência .é geral. Maridos nomeiam mulheres e filhos e amantes para cargos onde se devia aceder por competência, os ministros nada entendem das suas pastas, as emergências falham (SIRESP lembram-se?), a tropa tem mais graduados que soldados, os bancos estão depenados e cobram comissões exorbitantes, a alimentação cada vez mais cara, as taxas e as taxinhas e os impostos sucedem-se para retribuir uns miseráveis euros a quem pouco tem e centenas a quem não precisa. Se isto é um país evoluído é porque as expectativas dos cidadãos são abaixo de cão (algo que nem sequer me incomoda nos restaurantes) e nem têm esperança num futuro radioso. Portugal está há muitas décadas entregue à bicharada. E assim continuará.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A acção do governo em 2017


Apreciação à conduta do governo de Portugal durante o ano de 2017 no qual o primeiro-ministro e Cª foram bastante mais eficientes a apagar as suas asneiras do que a apagar os incêndios que destruíram gande parte da mancha florestal do interior. Mas existem muitas outras nódoas negras do executivo, amenizadas na opinião pública para uma comunicação social reverente na sua maioria e transmissora da publicidade enganosa transmitida desde S. Bento. 

António Costa (primeiro-ministro) -- Um refugo da tralha socrática que mente com a mesma facilidade com que sorri. Descobriu o Ovo de Colombo ao acompanhar as reversões por aumentos de impostos, taxas e taxinhas que anulam as prebendas social-comnistas. A ineficácia do Estado sobe a um ritmo maior do que a descida do défice. Mas o que importa aos beneficiados por cada euro que recebem que sejam retirados dos serviços públicos dois ou três euros em cativações? Mais ano menos ano, se esta gente se equilibrar no poder, teremos ordenados ao nível da Alemanha, impostos ao nível da Suécia e uma qualidade de vida ao nível do Burkina Faso...

Augusto Santos Silva (ministro dos Negócios Estrangeiros) -- Outro refugo da tralha socrática que só não "malha na direita", como gosta de se gabar, porque o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o coloca em sentido antes que ele abra a boca para entrar mosca ou sair asneira. 

Maria Manuel Leitão Marques (ministra da Presidência e da Modernização Administrativa) -- Um nome e uma denominação ministerial mais longa do que a sua actividade na geringonça. Deve fazer alguma coisa, embora não se saiba bem o quê. Ou também é tralha socrática ou também é amiga do Costa. Das duas uma. Ou mesmo as duas...

Mário Centeno (ministro das Finanças) -- O tipo das duas caras que estava arrumado a um canto no Banco de Portugal. Por cá é um gajo fixe de Esquerda que distribui reversões a torto e a direito, na Europa é um ortodoxo de Direita que cumpre direitinho todas as ordens e euros emanados de Bruxelas. Equilibra-se nesta dicotomia com a mesma presteza com que o Cristiano Ronaldo se equlibra antes de rematar. Só com uma diferenta: o CR7 marca golo e este patusco chuta para a bancada. 

José Alberto de Azeredo Lopes (ministro da Defesa Nacional) -- O personagem ideal para quem adora desenhos animados. Lembram-se do Recruta Zero ou do Taka Takata? Quem quiser aprofundar o seu conhecimento sobre este "cartoon" que abria as portas para o presidente da câmara do Porto, Rua Moreira, passar ou segurava no guarda-chuva para o chefe fanático pelo FC Porto não se molhar, aconselho vivamente as "guerras do Solnado". São quase tão divertidas quanto este indivíduo...

Eduardo Cabrita (ministro da Administração Interna) -- O substituto da "dona de casa desesperada" que antes ocupou o cargo é um tipo ligado às Finanças e exerceu funções em Macau...A sua acção mais palpável neste novo carga foi uma sesta que dormiu numa cerimónia qualquer. Não gabo a sorte à GNR e à PSP com este papa-cargos a tutelá-los. E quanto ao pessoal que mora junto às florestas é melhor fugirem quando o calor apertar...

Francisca Van Dunen (ministra da Justiça) -- Ainda será militante do MPLA? Nada mais a assinalar, o que diz bem da sua (in)acção na área que...que...que nada!

Pedro Siza Vieira (ministro Adjunto) -- Tem o Leadership Programme da Harvard Business School...que espectáculo. Txiiii. Está tudo dito. Mas nada feito... 

Luís Filipe de Castro Mendes (ministro da Cultura) -- Ohpá, eu sei que as minhas pintura não são umas obras-prima, mas não me arranjas aí umas exposições para ganhar uns trocos porque a minha reforma é cada vez mais curta para meses tão compridos? Obrigado. A propósito, sabes que as ruínas do Carmo estão em ruínas? 

Manuel Heitor (ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) -- Outro resquício da tralha socrática. Se a ciência vem dos Estados Unidos e a tecnologia vem da China e a malta do ensino superior emigra porque é que este ministro havia de se chatear com estas minudências? 

Tiago Brandão Rodrigues (ministro da Educação) -- Mini.... ahahahah... istro... ahahah... da.... ahahahah.... Edu... ahahahah... ca... ahahaha... ção? ahahahah... Achas que o Mário Nogueira deixava?... 

Vieira da Silva (ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social) -- Este ícone da tralha socrática e (mais um) amigo de Costa já merecia a reforma. O coitado já nem se lembra que esteve na Raríssimas, não se lembra que foi à Suécia, não se lembra que aquilo que assinou não era uma fundação. Será que o Memofante é uma tanga que não faz efeito? 

Adalberto Campos Ferreira (ministro da Saúde) -- Como não brinco com coisas sérias abstenho-me de comentar esta brincadeira do Costa com a Saúde. 

Pedro Marques (ministro do Planeamento e das Infraestruturas) -- Gosta de jogar ténis e a Ponte Sobre o Tejo ainda não caiu. Siga para match-point...

Manuel Caldeira Cabral (ministro da Economia) -- As lojas dos chineses estão à pinha, os indianos e paquistaneses florescem os negócios no Intendente, os nepaleses começaram a abrir lojas e não fecham ao domingo, os tailandeses apanham bivalves no Tejo, a Auto Europa está quase a mudar-se  para a Roménia ou para a Albânia, portanto tudo calmo e sereno por cá. Os turistas (ainda) chegam, ok.

João Pedro Matos Fernandes (ministro do Ambiente) -- Desde que os cães não caguem na rua e os donos não deixem ficar o excremento na via pública está tudo controlado. 

Capoulas Santos (ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural) -- Se não fosse um dos mais arqueológicos vestígios da tralha socrática e amigo (outro) do Costa tinha-se chamuscado com os fogos mortíferos.  Pelo contrário, a floresta ardeu como se não fosse nada com o ministro das...florestas. Mais comentários para quê? 

Ana Paula Vitorino (ministra do Mar) -- A senhora está doente e respeito isso. Desejo-lhe as melhoras!

Uma pergunta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: porque razão não pôs toda esta gente a andar? Será preciso chegar à falência absoluta do Estado? 


domingo, 26 de novembro de 2017

Aconteceu em Novembro de 75



"Queremos o socialismo, sim, mas não o da Suécia, da Noruega ou da Holanda,  o socialismo que queremos é da República Democrática Alemã, da Polónia,da Bulgária, da Roménia ...", podia ler-se no Boletim Oficial do Movimento das Forças Armadas, da autoria da V Divisão do Estado-Maior da tropa, durante o Verão Quente de 1975. 
Chegado a este ponto sem retorno, os oficiais "moderados" foram obrigados a organizar-se e a estabelecer um plano de acção para retirar o poder à extrema-esquerda comunista, cujo braço armado era o tristemente célebre COPCON do brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho e os SUV (Soldados Unidos Vencerão), uns grupelhos de soldados mascarados de bolcheviques e com juramentos de bandeira de punho direito erguido e loas ao "socialismo". 
Eu, pela minha parte, já andava pelos cabelos com aqueles revolucionários de meia-tigela e a asfixia democrática vermelha que afectava como uma praga Portugal de Rio Maior para sul. Não foram raras as vezes em que fui buscar soldados meus detidos pela cobarde e pérfida Polícia Militar ao Regimento de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, e na maioria do casos trouxe-os de volta à nosso unidade desfigurados pelas agressões bárbaras que eram cometidas, não só aí mas também no RAL 1 (Lisboa), no primeiro caso por ordem dos tiranetes major Tomé e major Campos de Andrada e no segundo caso o coronel Leal de Almeida. Quantas vezes apertei com força a coronha da minha Walther P-38, a pistola de serviço de escolta que usava nesses momentos, com a raiva de não a poder usar mesmo ali naquele ninho de víboras militares-social-comunistas e vingar os meus soldados maltratados. 
Em Setembro, o general Vasco Gonçalves deixou de fazer a triste figura de primeiro-ministro  e foi substituído pelo almirante Pinheiro de Azevedo. A situação político-militar, apesar da mudança, degradava-se de semana a semana. Até que chegou a altura de cada facção contar as armas e partir-se para a acção. A rotura era total e a guerra civil era uma perspectiva a levar em conta. 
No Depósito de Material de Guerra, em Moscavide, um tal capitão Saraiva surripiou uns milhares de G-3 e algumas foram distribuídas por vários bandos entre os quais a Intersindical. O PCP controlava os Fuzileiros e Álvaro Cunhal incendiava os ânimos comunistas com tiradas eloquentes. Otelo incentivava o COPCON, onde, entre os muros,  se cometiam crimes ao nível dos praticados pela PIDE antes do 25 de Abril. 
Na hora H, atribuiram-me uma missáo: inutilizar o canhão 88 postado no viaduto sobre a minúscula auto-estrada Lisboa-Vila Franca de Xira. Antes de chegarmos ao objectivo pela calada da noite recebo uma mensagem que afinal o RALIS  se rendia às forças do tenente-coronel Ramalho Eanes. Passara-lhes por completo o ardor revolucionário. No emaranhado de reuniões e comunicações entre unidades, partidos políticos e o Presidente da República, general Costa Gomes, as movimentações acontecem em cadeia. Mário Soares e uns quantos socialistas fogem para o Porto, Álvaro Cunhal sai de cena e o brigadeiro Otelo refugia-se em casa... 
Duas companhias de pára-quedistas chegadas do Ultramar recusam-se a alinhar com os companheiros que tomaram as bases e passam imediatamente â disponibilidade. Os Comandos do coronel Jaime Neves assaltam os "páras" rebeldes, na esmagadora maioria praças, alguns sargentos e apenas um oficial, que estavam entricheirados no GDACI, em Monsanto. Também eles perderam o fervor revolucionário e não deram luta. Na manhá do dia 26 é o assalto dos Comandos ao famigerado antro de cobardes da Polícia Militar. O tenente Coimbra e o furriel Pires são vítimas mortais, nas nossas forças, do fogo traiçoeiro pelas costas oriundo das casernas deCavalaria 7, situadas no lado esquerdo da Calçada da Ajuda. Na parada de Lanceiros 2 tomba um militar e uma Chaimite arromba o portão. 
O coronel Jaime Neves eleva a sua autoridade ao máximo e consegue evitar que a vingança pela morte dos dois graduados "comandos" seja levada a cabo. A dicotomia revolucionários-moderados acabava ali e a democracia ocidental estava salva das garras do totalitarismo social-comunista. Lisboa, Setúbal e Barreiro eram sobrevoados por aviões F-86F que assinalavam o ponto final no marxismo. 
Ainda hoje se discute acaloradamente o que aconteceria se o COPCON e os Fuzileiros e as restantes unidades simpatizantes do socialismo do Leste europeu não tivessem recolhido às casernas. Que haveria uma guerra civil generalizada não duvido. Porém também não seria difícil prever o desfecho. O "nosso" lado estava dispunha de forças muito mais poderosas: Escola Prática de Cavalaria, Escola Prática de Infantaria, Escola Prática de Artilharia, Regimento de Comandos, Regimento de Cavalaria de Estremoz, Regimento de Cavalaria de Braga, Regimento de Cavalaria de Santa Margarida, Força Aérea, etc. 
Já lá vão 42 anos e desde então as armas calaram-se. Sõ as usei depois para instrução ou serviço. Saudades? Tenho. Dos meus vinte e poucos anos de então. Só!

sábado, 25 de novembro de 2017

As inundações de 1967 e os incêndios de 2017

Há precisamente 50 anos, também um sãbado, mais ou menos por esta hora (17h00) , caía em Lisboa a popularmente chamada chuva "molha tolos". Persistente num cenário cinzento e normal naquela época do ano. Horas mais tarde, quando me dirigia para o pavilhão desportivo do Campo de Ourique para assistir aos jogos de andebol do campeonato regional da I divisão, já as bátegas eram bastante mais fortes mas ainda longe de algo de anormal. Entrei no pavilhão para junto da claque do Passos Manuel (o liceu tinha equipas de andebol que disputavam as provas oficiais da associação e da federação) e vibrámos com o encontro e o apoiámos fervorosamente o nosso ALPA. 
Findos os jogos da jornada já para lá da meia-noite, eu e uns amigos fomos até uma casa de petiscos perto do pavilhão, "Os Passarinhos", e quando de lá saímos "molhados" com umas canecas de cerveja e uns "piú-piús lá para as 02h00 da madrugada o céu abria-se em cascata e as ruas eram leitos caudalosos que as sargetas não conseguiam sugar e absorver. A corrente intensa da Rua João XXI  desaguava no Largo do Rato com violência e daí seguia impetuosa pela Rua de S.Bento. 
Chegados ao Jardim do Príncipe Real, o temporal dispersou-nos e cada um seguiu para sua casa. Já na cama, no último andar de um prédio na Rua Eduardo Coelho, ouvia a chuvada bater com estrondo nas telhas e nas vidraças das janelas. Ao almoço, recordo-me de umas vagas referências a inundações, mas à tarde saí para ir jogar matraquilhos e bilhar para o Jardim Cinema e não me recordo de grandes comentários às cheias que por essa altura já tinham ceifado a vida a centenas de pessoas. 
Só me apercebi verdadeiramente da dimensão da tragédia na segunda-feira, no Liceu Passos Manuel, onde a rotina das aulas se alterara em função da mortandade na zona da capital. O reitor, professores, alunos e contínuos contavam as suas experiências pessoais abertamente, sem receios dos "bufos" da PIDE que por lá existiam, e que nós sabíamos quem eram, mas não ligávamos muito a esses personagens porque o Liceu Passos Manuel era bastante rebelde no seu comportamento perante as autoridades e tanto andavamos à pedrada com a PSP  no largo anexo à igreja das Mercês como assobiavamos os veículos da GNR que atravessavam a rua em frente ao edifício escolar para entrarem nas traseiras do quartel dos Paulistas. 
Não sei de quem partiu a iniciativa, mas muito rapidamente os professores começaram a solicitar aos alunos voluntários para irem ajudar as autoridades nas zonas afectadas pelas cheias. Penso que quase toda a rapaziada com mais de 14 anos alinhou imediatamente nessa tarefa. Eu tinha, nessa época, 16 anos e fui com o meu grande amigo (precocemente falecido) Castanheira para Algés, onde deparámos com um cenário dantesco. Água, lama, destroços até ao primeiro andar dos prédios na rua da linha dos eléctricos e na avenida marginal. Chafurdámos por ali durante dias em caves imundas, recolhendo animais mortos e ajudando a carregar vítimas embrulhadas em cobertores enlameados para viaturas que seguiam para a morgue do Instituto de Medicina Legal. Por volta do meio-dia apareciam umas senhoras que nos davam uma sandes de "qualquer coisa" e uma gasosa. 
Mais que o silêncio dos mortos incomodava-nos, sobretudo, o pranto do vivos sobreviventes ou os rostos sem expressáo de quem ficara vazio de bens e sentimentos.  
Leio agora, passados todos estes anos, que as autoridades abandonaram as vítimas e quiseram esconder a "maior tragédia em Lisboa desde o terramoto de 1755". É mentira! Eu vi polícias, guardas republicanos, bombeiros, médicos, enfermeiros, soldados, empregados da Carris, da CP, dos CTT, estudantes, professores, anónimos, todos unidos para livrar a zona de Lisboa daquele armagedão inesperado. 
É óbvio que existia a Censura, como existe em todos os países que estão em guerra e Portugal combatia no Ultramar, mas, mesmo com o lápis azul o "Diário de Lisboa" titulava, como se pode ver na foto acima, "centenas de mortos". Muitas zonas da cidade eram precárias. É verdade. Mas o maior bairro de lata da Europa situava-se em Paris, na democrática e evoluída França, e era habitado por centenas de milhar de ... portugueses. 
Como poderia Salazar esconder do Povo semelhante tragédia se este mesmo Povo fazia excursões aos milhares para visitarem as zonas atingidas pelo temporal mortífero. Satisfaziam a curiosidade mas não ajudavam. Nem uma pedrinha afastavam do caminho. Esconder as cheias de 1967 era como os americanos esconderem o ataque às torres gémeas, em Nova Iorque. Impossível.
E naquele tempo não havia o SIRESP nem a imensa frota de veículos dos bombeiros como a que combateu os fogos de Pedrógão Grande, em Junho, ou de todo o centro do país, em Outubro, com os trágicos resultados que se conhecem. Não houve, então, um Presidente da República que, entre lágrimas, beijos e abraços mentiu aos portugueses, referindo que "foi feito tudo o que se podia fazer", houve, sim, um Presidente da República que visitou, de cara fechada, todas as zonas alagadas. Era almirante e chamava-se Thomaz. 
E neste disputa ditadura-democracia em tempos de luto nacional parece que a "censura da liberdade" recusa-se a tornar público o capítulo VI do Relatório dos Incêndios de Pedrógão Grande. Porque será?